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Partido Popular Europeu suspende partido do primeiro-ministro da Hungria

Partido Popular Europeu suspende partido do primeiro-ministro da Hungria

A assembleia política do Partido Popular Europeu (PPE) decidiu suspender "com efeito imediato" o Fidesz do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou o líder do grupo parlamentar do grupo conservador, Manfred Weber.

"O PPE decidiu hoje suspender a filiação do Fidesz no seio da família do PPE. Na prática, isso significa que o Fidesz não pode apresentar candidatos a cargos no partido, não pode votar em qualquer tipo de assembleia do PPE, e nem sequer estão autorizados a participar em reuniões", anunciou Weber, precisando que Orbán já não poderá estar presente na quinta-feira na "míni-cimeira" dos conservadores que antecede o Conselho Europeu.

A decisão foi tomada depois de "uma tarde muito intensa e uma reunião que não foi fácil", apontou Weber, mas de forma inequívoca, pois a proposta de suspensão apresentada pela liderança do PPE foi aprovada com 194 votos a favor, três contra e um nulo.

A assembleia política, reunida hoje em Bruxelas, aprovou assim a proposta apresentada pela liderança do partido que determina que o Fidesz perderá "todos os direitos enquanto partido-membro", sendo estabelecida agora uma comissão de avaliação para monitorizar a aplicação das condições básicas estabelecidas por Weber numa carta endereçada a Viktor Órban em 05 de março.

A comissão de avaliação, que vai ser liderada pelo belga Herman Van Rompuy (ex-presidente do Conselho Europeu), fará, "a seu tempo, o "julgamento final", que pode resultar na reintegração do Fidesz ou na sua exclusão da maior família política europeia, que integra PSD e CDS-PP. O cenário de uma exclusão, garantiu Weber, "permanece assim em cima da mesa".

Na missiva dirigida a Orbán no início do mês, Weber, candidato do PPE à presidência da Comissão Europeia, instava à retirada dos polémicos cartazes e "outros materiais" usados na campanha contra o atual presidente do executivo comunitário, o reconhecimento, por parte do Fidesz, de que a citada campanha causou "danos políticos consideráveis", e à reabertura da Universidade Centro Europeia (CEU), fundada pelo magnata George Soros.

"Adicionalmente a estas três condições, a comissão de avaliação apreciará minuciosamente o respeito pelo Estado de Direito, os valores do PPE, assim como a implementação da resolução de emergência do PPE "Proteção dos Valores da União Europeia e Salvaguarda da Democracia", acrescenta a proposta de deliberação apresentada pela liderança do partido.

As críticas a Viktor Orban não são recentes, mas a gota de água foi uma campanha anti-imigração promovida pelas autoridades húngaras, intitulada "Você também tem o direito a saber o que Bruxelas está a planear", veiculada em painéis gigantes e anúncios de página inteira nos jornais e que tinha o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também ele membro daquela família política, como um dos alvos.

O processo de suspensão do Fidesz foi desencadeado por 14 partidos, entre os quais PSD e CDS-PP, que pediram a suspensão ou expulsão do partido nacional-conservador populista de direita que governa a Hungria desde 2010.