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Passagem de Macau para a China foi processo "raríssimo e exemplar"

Passagem de Macau para a China foi processo "raríssimo e exemplar"

Cavaco Silva considera que o modo como se deu a passagem da administração de Macau de Portugal para a China levou a que ambos os países ficassem "muito mais próximos".

Discursando numa cerimónia de comemoração do 10.º aniversário da transferência da administração portuguesa de Macau, na fundação Calouste Gulbenkian, o presidente da República apontou a parceria estratégica assinada entre Lisboa e Pequim em 2005 como um exemplo do "relacionamento cada vez mais aprofundado" entre as duas nações e garantiu o seu "empenho pessoal no reforço continuado" destas relações.

Cavaco afirmou que em 1999, a administração portuguesa deixou o território "justificadamente orgulhosa de um legado notável, assente numa organização administrativa capaz e respeitada e num corpo legislativo sólido e abrangente, em harmonia com as garantias que haviam sido dadas aos habitantes de Macau" e que "incluía, ainda, um conjunto de infra-estruturas que permitiam ao território olhar o futuro com confiança".

"A tudo presidira uma visão estratégica que soube reconhecer o potencial de Macau como plataforma privilegiada no quadro da política de abertura ao mundo que a China havia iniciado e como factor de aproximação entre Portugal e a China", sustentou.

O chefe de Estado notou que a "concretização deste último objectivo - fazer de Macau um factor de aproximação entre Portugal e a China - ficou a dever-se não apenas ao modo como se afirmou a presença portuguesa em Macau, mas também ao clima de respeito e amizade que caracterizou o processo negocial, fruto de uma preocupação, partilhada pelos dois Estados, em garantir as soluções que assegurassem o melhor futuro para o território e para as suas gentes".

"E assim, caso raríssimo e exemplar, Portugal e a China, chamados a resolver uma questão bilateral complexa e delicada, de grande sensibilidade para ambos, concluíram-na muito mais próximos um do outro do que quando lhe haviam dado início", declarou.

Em seguida, Cavaco Silva considerou que a necessidade do relacionamento entre Portugal e o Oriente "se torna cada dia mais premente, perante a evidencia do papel que a Ásia, em geral, e a China, em particular, são e serão crescentemente chamadas a desempenhar na cena internacional" e apontou a Exposição Universal de Xangai, em que Portugal vai estar presente em 2010, e o Ano de Portugal na China, em 2011, como "duas excelentes oportunidades para afirmar o relançamento da presença" portuguesa naquele continente.

"Não me parece que haja dúvidas de que ainda temos muito a fazer para que possamos falar de um relançamento da presença portuguesa no Oriente, tirando partido das vantagens que Macau oferece", referiu.

Para o chefe de Estado, passados dez anos desde o dia 20 de Dezembro de 1999, data da passagem de Macau para a China, "o dinamismo económico e o progresso social de Macau são evidências que todos reconhecem, fruto de uma clima de confiança no futuro que muito deve às condições que o processo de transição permitiu criar".

Após a cerimónia, onde discursaram Carlos Melancia, presidente da Fundação Jorge Álvares, Adriano Moreira e o embaixador chinês em Lisboa, e onde marcaram presença os generais Rocha Vieira e Ramalho Eanes, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Valença Pinto, ou os antigos ministros do PSD Ernâni Lopes e Deus Pinheiro, Cavaco Silva visitou a exposição "Macau -- Encontro de Culturas".

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