Mundo

Polícia dispersa "manifestação de jasmim" no centro de Pequim

Polícia dispersa "manifestação de jasmim" no centro de Pequim

A polícia dispersou este domingo uma manifestação, no centro de Pequim, que tinha com objectivo colocar em marcha uma outra 'revolução do jasmim', como a que decorre nos países árabes. O protesto terá sido convocado através Internet, o que motivou o bloqueio da palavra "jasmim" na rede.

A agência de notícias Xinhua confirmou que várias dezenas de pessoas se concentraram na rua de Wangfujing, numa importante área comercial, situada a poucos metros da praça Tiananmen, onde decorreram as célebres manifestações pela democracia em 1989.

Trata-se do primeiro protesto na China desde que tiveram início as manifestações pela democracia e melhores condições de vida (a revolução do jasmim) nos países árabes, que já provocaram a queda dos governos da Tunísia e do Egipto.

Foram postadas mensagens na Internet a pedir a participação das pessoas em várias manifestações que iriam decorrer este domingo em várias localidades do país e também para dar apoio à chamada "revolução do jasmim".

Quinze activistas dos direitos humanos estão desaparecidos na China, desde sábado, segundo informaram seus familiares, que acreditam que aqueles estão presos.

"Muitos defensores dos direitos humanos desapareceram (sob custódia da polícia) nos últimos dias, alguns são enviados para suas casas e os seus telemóveis estão bloqueados", disse à AFP a advogada e activista dos direitos humanos Ni Yulan.

"O número de polícias à porta da minha casa aumentou. Seguem-nos se nós sairmos", disse a advogada.

Muitas chamadas telefónicas a vários activistas dos direitos humanos, incluindo Teng Biao, Xu Zhiyong e Jiang Tianyong, ficaram este domingo sem resposta. Segundo os seus familiares, os activistas foram detidos pela polícia.

As mensagens na Internet foram postadas, provavelmente, por dissidentes chineses no estrangeiro e provocou a censura na rede da palavra jasmim por parte do governo da China.

Os dissidentes apelaram à participação em manifestações em Cantão, Xangai, Pequim e outras 10 cidades do país.

Desde que começaram os problemas na Tunísia, que levou à queda do governo, as autoridades chinesas têm tentado limitar a divulgação das manifestações nos países árabes.

Numa pesquisa realizada este domingo no site chinês Weibo (equivalente ao site de mensagens Twitter) as mensagens que contenham a palavra "jasmim" não produzem resultados.

O site do popular motor de busca Baidu explica que a pesquisa era impossível por causa da lei e de regulamentos.