França

Polícia francesa obriga mulher a despir-se em público na praia

Polícia francesa obriga mulher a despir-se em público na praia

As imagens de um controlo policial em uma praia em Nice, França, que mostram uma mulher sentada na areia com um lenço na cabeça e a tirar a túnica na frente dos agentes, provocaram indignação nas redes sociais, esta quarta-feira.

A proibição do uso do burkini (fatos de banho para mulheres muçulmanas que cobrem o corpo inteiro, exceto a cara, mãos e pés), em várias cidades da região administrativa da Côte d'Azur, no sudoeste da França, tem gerado polémica no próprio país e a nível internacional.

Imagens divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail, mostram quatro polícias a obrigar uma mulher a despir a túnica, numa praia perto do Passeio dos Ingleses, local onde ocorreu o atentado de 14 de julho, em Nice, que causou mais de 80 mortos.

Marwan Muhammad, presidente do coletivo contra a islamofobia em França, considera que se trata de "uma humilhação" e "uma caça aos véus". "Querem tirar a roupa? Que tirem os uniformes, polícia vergonhosa", acrescentou.

A proibição do uso do burkini constitui "uma violação grave e manifestamente ilegal contra várias liberdades fundamentais, com a liberdade de opinião, religião, vestir e mover" disse o mediático advogado Patrice Spinosi, membro do Supremo Tribunal de justiça e do Conselho de Estado, em França.

"Quantos polícias armados são necessários para obrigar uma mulher a tirar a sua roupa em público?", escreveu no Twitter Andrew Stroehlein, diretor da comunicação para a Europa da "Human Rights Watch", organização não governamental de defesa dos direitos civis.

Se existem pessoas a favor da utilização do burkini nas praias francesas, há também quem se oponha, como o primeiro-ministro francês Manuel Valls.

"O uso do burkini não é compatível com os valores da França e da República", disse Valls. "As praias, tal como todos os espaços públicos, devem ser preservadas de reivindicações religiosas", acrescentou o chefe do Governo francês.

Segundo o presidente da Câmara de Nice, Christian Estrosi, citado pelo jornal espanhol "El Mundo", já foram multadas 15 pessoas naquela região. A coima é de 38 euros.