Direitos humanos

Polícia no Brasil matou 5144 pessoas em 2017, mais 20%

Polícia no Brasil matou 5144 pessoas em 2017, mais 20%

Os abusos cometidos pela polícia contribuíram para os altos índices de violência no Brasil, denunciou a organização internacional Human Rights Watch.

"Abusos cometidos pela polícia, incluindo execuções extrajudiciais, contribuem para um ciclo de violência que prejudica a segurança pública e põe em perigo a vida de polícias e civis. (...) Agentes da polícia, incluindo oficiais de folga, mataram 5144 pessoas em 2017, 20% a mais do que em 2016", declarou a Human Rights Watch (HRW) no seu relatório anual, admitindo que alguns assassínios tenham sido em legítima defesa.

No outro verso da moeda, e segundo dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública referentes a 2017, 367 agentes da polícia, em serviço e de folga, foram mortos em 2017.

No seu relatório anual, a organização frisou que não conseguiu obter acesso a dados mais recentes, relativos a 2018.

Ainda sobre a violência policial no Brasil, a HRW afirmou que o provedor de justiça da polícia de São Paulo analisou centenas de assassínios cometidos pelas forças policias em 2017, concluindo que a "polícia usou força excessiva em três quartos" dessas execuções, "por vezes contra pessoas desarmadas".

As condições precárias das cadeias brasileiras também estiveram em foco no relatório da organização de defesa dos direitos humanos, onde a sobrelotação e a falta de funcionários são os problemas que mais impedem as autoridades prisionais de manter a ordem dentro de determinados estabelecimentos prisionais, "deixando os detidos vulneráveis à violência e ao recrutamento para gangues".

De acordo com dados do Ministério da Justiça, em 2016 mais de 726 mil adultos foram presos em instalações construídas para armazenar metade desse número.

Além da violência policial e prisional, também a violência doméstica tem subido no país sul-americano, onde milhares de casos "não são adequadamente investigados" a cada ano que passa, segundo denuncia a HRW.

"No final de 2017, mais de 1,2 milhões de casos de violência doméstica estavam pendentes nos tribunais brasileiros", declarou a organização.

2018 foi um ano marcado pela entrada de milhares de venezuelanos no Brasil, na procura por melhores condições de vida. Apesar de o país ter mantido as suas fronteiras abertas, a Human Rights Watch afirma que há registos de vários ataques xenófobos contra venezuelanos, como a sua expulsão de abrigos provisórios e a destruição dos seus bens pessoais.

Dados do Alto-Comissariado das Nações Unidas para o Refugiados (ACNUR) mostram que de janeiro de 2014 a abril de 2018, 25.311 venezuelanos solicitaram uma autorização de residência no Brasil e 57,575 pediram asilo. No entanto, e segundo a HWR, em 2016 o país sul-americano apenas concedeu asilo a 14 venezuelanos.

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