Crise

Políticos do Sri Lanka demitem-se por alegadas ligações a terroristas

Políticos do Sri Lanka demitem-se por alegadas ligações a terroristas

Políticos muçulmanos do Sri Lanka, detentores de altos cargos na administração pública, pediram, esta segunda-feira, a demissão para que sejam investigadas as suas alegadas ligações ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

O anúncio foi feito depois de um monge budista ter iniciado uma greve de fome para exigir a demissão de governadores e ministros por alegadamente manterem ligações com o EI, que reivindicou os ataques terroristas do passado dia 21 de abril, Domingo de Páscoa.

Segundo as agências internacionais, o número de detentores de altos cargos que se demitiram varia, com a AP e a AFP a referirem que se trata de dois governadores e nove ministros, enquanto a EFE fala em quatro governadores, quatro ministros e um vice-ministro.

Os dirigentes que pediram a demissão representam vários partidos do país.

O monge budista Athuraliye Ratana começou uma greve de fome no sábado como forma de protesto para exigir a demissão de políticos muçulmanos acusados de estarem ligados ao EI que reivindicou os ataques de Domingo de Páscoa, causando a morte a mais de 250 pessoas.

O protesto de Ratana foi apoiado pelo monge extremista Gnanasara, que saiu da prisão há pouco tempo devido a um indulto e que é acusado de incitação ao ódio contra a minoria muçulmana no país.

O responsável pela igreja Católica na ilha, o cardeal Malcolm Ranjith, também visitou hoje a cidade de Kandy, palco dos protestos para expressar a sua solidariedade ao movimento.

"Apoiamos a campanha do monge porque até agora a justiça não foi feita", afirmou Ranjith aos jornalistas.

Após os ataques, vários motins antimuçulmanos abalaram as cidades a norte da capital, destruindo centenas de casas, empresas e mesquitas.

"Há tensão na área por causa das manifestações e a polícia permanece em alerta máximo", disse à AFP o chefe da polícia de Colombo.

Os muçulmanos compõem 10% da população do Sri Lanka, que é principalmente budista.

No ano passado, motins antimuçulmanos nos subúrbios de Kandy causaram três mortos e mais de 20 feridos.