Tragédia

Ponte em Génova cedeu e atirou dezenas de pessoas para a morte

Ponte em Génova cedeu e atirou dezenas de pessoas para a morte

Centenas de bombeiros e polícias empenhados nas buscas por vítimas da queda da ponte em Génova, Itália, não pararam de trabalhar com o cair da noite. Até ao momento, há 31 mortes confirmadas, mas o número poderá ser mais alto.

A ponte, que tem um viaduto com 1,182 quilómetros sobre uma zona urbana, com centros comerciais, edifícios residenciais e áreas industriais, cedeu cerca das 11 horas da manhã (hora portuguesa) e arrastou para o abismo cerca de três dezenas de carros e três de camiões, mas os números da tragédia são ainda provisórios.

Danilo Tonionelli, Ministro dos Transportes de Itália, disse que o país está a viver "uma tragédia imensa". Segundo o Governo Regional, 23 corpos foram transportados para San Marino para serem identificados, mas já foram registadas 31 mortes (uma delas na mesa de operações, no hospital), entre elas duas crianças, revelam os jornais italianos, que citam a Proteção Civil.

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As imagens chegadas de Itália são devastadoras. Uma amálgama de cimento, alcatrão e ferro misturadas com os veículos atingidos e as cores das fardas dos operacionais que tentam ainda resgatar as vítimas do acidente que está a chocar a Itália e o Mundo. O relato de quem sobreviveu, por pouco, à queda para o abismo é impressionante.

Sem explicações

Ainda não há explicações oficiais para a queda da ponte, que terá sofrido obras de manutenção profundas há poucos anos, mas a empresa de engenharia civil CNR está a apelar para um "Plano Marshall" para reparar ou substituir dezenas de milhares de pontes em Itália que ultrapassaram o seu tempo de vida útil, depois de construídas nas décadas de 1950 e 1960 com betão armado.

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Na sequência do desastre de hoje no viaduto de Génova, a CNR explicou hoje, em comunicado, que as pontes foram construídas com as melhores técnicas conhecidas na época, mas que a sua vida útil é de 50 anos.E em muitos casos, acrescentou a empresa, o custo de atualizar e reforçar as pontes é superior ao que custaria destruí-las e construí-las de novo.

Sabe-se que, em 2016, um engenheiro da Universidade de Génova tinha sublinhado que a travessia rodoviária tinha problemas e que "mais tarde ou mais cedo" teria de ser feito algo.

Já esta tarde, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte viajou para a cidade portuária e visitou o local daquilo que descreveu como uma "imensa tragédia". "É chocante ver o metal retorcido e a ponte desmoronada, com as vítimas a serem de lá retiradas", declarou à estação televisiva pública RAI.

O chefe do Governo italiano elogiou também as centenas de trabalhadores das equipas de salvamento que ainda se encontram no local, afirmando: "Eles salvaram pessoas que caíram 45 metros e estão vivas e no hospital".

Sobreviveu debaixo da ponte

Um homem de meia-idade que ficou debaixo do troço da ponte que desabou classificou como "um milagre" o facto de ter sobrevivido.

Em declarações a uma estação de televisão local, o homem, que não quis identificar-se, contou que estava parado na rua, em frente ao seu camião, debaixo da ponte, quando a estrutura cedeu, e que a onda de choque o projetou mais de dez metros de encontro a uma parede, causando-lhe ferimentos na anca e no ombro direitos.

"Eu estava à frente do camião e voei, como tudo o resto. Sim, penso que é um milagre. Nem sei o que mais dizer", comentou.

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