Inglaterra

Português dado como morto durante 21 minutos acordou a caminho da morgue

Português dado como morto durante 21 minutos acordou a caminho da morgue

Um cidadão português emigrado em Inglaterra foi dado como morto, mas acordou 21 minutos depois, quando estava a ser levado para a morgue.

Para os médicos, João Coutinho Araújo é o "homem milagre". O caso inédito aconteceu há dez anos mas só foi agora revelado pelo protagonista. O português de 48 anos, residente em Gloucester (Gloucestershire), sul de Inglaterra, onde trabalha como carteiro, contou a história ao canal inglês "Gloucestershire Live", esta semana.

Era dia 18 de abril de 2009. João estava no carro, prestes a sair de casa para levar a mulher ao trabalho, de manhã, quando se sentiu mal: os olhos reviraram, as mãos apertaram o volante rigidamente, a língua enrolou-se. A mulher saiu do carro horrorizada e a pedir ajuda. Foi acudida por um vizinho que passou pelo local e chamou uma ambulância. Os paramédicos que chegaram determinaram que João estava em paragem cardiorrespiratória.

No Gloucestershire Royal Hospital, para onde a vítima foi transportada, foram-lhe efetuadas manobras de reanimação durante seis horas. Sem sucesso, foi declarado morto às 16 horas desse dia. A mulher, os filhos e os pais de João foram informados de que o português tinha morrido.

Mas, enquanto João era transportado da unidade de cuidados intensivos do hospital para a morgue, o inesperado aconteceu: as enfermeiras viram o corpo a mexer-se. Tinham passado 21 minutos desde que o óbito tinha sido declarado. A circulação voltou espontaneamente ao coração do homem.

O chefe da unidade de Cardiologia do hospital, Mark Petersen, correu a contar a boa notícia à família mas avisou que se o cérebro de uma pessoa não recebe oxigénio por mais de quatro minutos, pode ficar com danos cerebrais permanentes.

O "homem milagre"

João ficou em coma durante três dias. Quando acordou, tinha uma nova alcunha. Para a equipa hospitalar, era o "homem milagre". "Quando eu estava no hospital, eles não tinham explicação para o meu problema, então as pessoas começaram a chamar-me de homem milagre", contou ao jornal britânico.

A confusão que demonstrou nos primeiros momentos - deu uma série de respostas ilógicas a perguntas simples feitas pelos médicos - começou, ao fim de duas semanas, a dar lugar a um estado saudável.

Mais tarde, foi encaminhado para hospitais de Bristol e Oxford, para que os médicos determinassem o que tinha causado o ataque cardíaco e posterior inversão do estado. Um painel de sete profissionais de saúde não deu explicação concreta, uma vez que o homem tinha um estilo de vida saudável e não apresentava histórico de problemas cardíacos, mas privilegiou a teoria de que o cérebro não tinha enviado o sinal correto para o coração.

"Ao contrário de tudo no corpo abaixo dos olhos, os médicos disseram que o cérebro é um mistério, é como uma caixa de pandora", disse João, que agora vive com um dispositivo médico, no interior do corpo, que permite fazer desfibrilhação, caso o coração volte a parar.