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Portugueses nas listas belgas contra o desinteresse geral

Portugueses nas listas belgas contra o desinteresse geral

Há quase 100 nomes lusos entre os candidatos às autárquicas deste sábado. Menos de 10% dos nossos cidadãos a viver na Bélgica querem votar.

Dos quase 38 mil portugueses a viver na Bélgica, apenas 3600 estão registados para votar nas eleições comunais que se realizam hoje. Poucos. Em contrapartida, mais de 90 cidadãos nacionais são candidatos nestas "locais" belgas, entre 60 mil nomes de vários partidos. Mas sem esperanças desmedidas de serem eleitos.

Em 2012, cerca de 30 portugueses integraram listas e três deles foram mesmo eleitos para um mandato autárquico de seis anos: Inês Mendes Pinto (conselheira na Comuna Enghien), Pedro Rupio (conselheiro na Comuna de Saint-Gilles) e David da Câmara Gomes (vereação em Ottignies-Louvain-la Neuve). Mas nenhum se recandidata agora ao cargo que ocupa.

A Valónia é a região com mais representantes lusos nas listas (38), seguindo-se a região de Bruxelas (30) e a Flandres (24). Este ano, há mais candidatos, mas a possibilidade de serem eleitos mais portugueses não aumentou. "A comunidade não está muito sensibilizada para votar e a grande maioria dos portugueses que vivem na Bélgica nem sequer está inscrito para poder votar", disse ao JN Pedro Rupio, que também é conselheiro das Comunidades Portuguesas.

Maioria de socialistas

A maioria dos candidatos apresenta-se pelo Partido Socialista (PS), mas há quem vá a votos por partidos da direita, da extrema-esquerda e por movimentos ecologistas. "Sou candidata pelo PS numa comuna onde a direita tem muito apoio", explica-nos Sílvia Gonçalves Paradela, jornalista e descendente de uma família de Vila Real que emigrou há 30 anos.

Sílvia vive em Woluwe Saint Lambert. E admite que os mais de mil portugueses da vizinhança não ligam muito à política. "Só há 86 registados e em condições de votar e não é por ignorância. É mesmo por desinteresse", lamenta.

Já Joana Benzinho acredita que "a comunidade de falantes de língua portuguesa", incluindo brasileiros e africanos, vai apoiar os candidatos nacionais. "Uma das coisas que nos diferencia dos restantes é o facto de sermos portugueses", diz a candidata pelo Partido Socialista.

Apesar de os candidatos apontarem o fraco recenseamento dos portugueses como um "problema", a verdade é que, desde as últimas eleições locais, em 2012, registaram-se mais 560 eleitores.

"Continua a haver um grande atraso em relação a outras grandes comunidades, como a italiana, a francesa ou a espanhola, que contam com o dobro ou até mesmo o triplo de eleitores inscritos", calcula Pedro Rupio.

Se todos os portugueses a viver na Bélgica estivessem registados e votassem, regiões como Aubange e Arlon, na Valónia, Anderlecht e Forest, em Bruxelas ou, DRgenbos e Saint-Genesius-Rode, na Flandres, poderiam eleger vários conselheiros e vereadores. Até porque a legislação eleitoral belga permite que os membros das listas possam ser eleitos independentemente de o partido pelo qual concorrem ser ou não o mais votado. E o voto preferencial dá a cada candidato a possibilidade de ser eleito, mesmo se estiver nas últimas posições de uma lista.

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