EUA

Primeiro Filadélfia; depois Washington

Primeiro Filadélfia; depois Washington

Hillary Clinton vai chegar à convenção democrata, em julho, como candidata à Casa Branca. Falta derrotar Donald Trump.

Crónica de uma vitória anunciada. Hillary Clinton, que já tinha conseguido o número de delegados necessário para ser a candidata do Partido Democrata às eleições presidenciais norte-americanas - em novembro -, ganhou as primárias na Califórnia, o estado mais populoso dos Estados Unidos.

A investidura da ex-secretária de Estado na corrida à Casa Branca, em detrimento de Bernie Sanders, deverá ser confirmada na convenção democrata, entre 25 e 28 de julho, em Filadélfia.

A candidata ultrapassou largamente a maioria de delegados de que precisava, na sequência da vitória em outros três estados - Nova Jérsia, Novo México e Dakota do Sul -, na última "super terça-feira" das primárias. A antiga primeira-dama perdeu Montana e Dakota do Norte para o senador.

Para o que se segue - e tudo leva a crer que é uma luta com poucas ou nenhumas tréguas com o republicano Donald Trump -, Clinton "vai ter de apresentar mais qualquer coisa, terá de colocar mais futuro do que passado" no seu discurso, refere, ao JN, o politólogo e professor universitário Viriato Soromenho Marques. "Ela tem de aligeirar e ele de ser mais "pesado". "Vai ser um combate interessante", acrescenta.

A ex-senadora, falando perante apoiantes, em Nova Iorque, realçou que, "pela primeira vez na história" dos Estados Unidos, "uma mulher será nomeada por um grande partido" como candidata à presidência. O ineditismo da situação não traduz, para o docente, uma mudança profunda na mentalidade do eleitorado norte-americano - "essa aconteceu com a eleição de Barack Obama". Apenas mostra que "está mais flexível, mais solto, menos controlado pelos partidos. Todavia, é uma flexibilidade ambígua", salvaguarda. "Os que votam em Sanders e Trump são diferentes, mas têm todos grande desconfiança em relação a Washington." O que não é necessariamente boa notícia para a antiga chefe da diplomacia norte-americana, "que não tem o talento comunicacional" do atual presidente.

De qualquer forma, Obama já felicitou Clinton. Aliás, telefonou a Hillary e a Sanders para os felicitar pela corrida democrata, saudando a primeira por ter garantido a nomeação.

Entretanto, a Casa Branca anunciou que o chefe de Estado vai receber Sanders esta quarta-feira, a pedido do senador, que negou ter sido derrotado e prometeu ficar na corrida pela nomeação, apesar de a rival ter declarado vitória. "Vamos lutar muito para ganhar as primárias de Washington", disse, na Califórnia, referindo-se às últimas eleições primárias democratas, na próxima terça-feira, prometendo levar, depois, a luta pela "justiça social, económica, racial e ambiental" para a convenção. "Sou muito bom a matemática e sei que a luta que temos pela frente é muito, muito difícil. Mas continuaremos a batalha por cada voto e por cada delegado", afirmou, sem deixar de felicitar Clinton pelas vitórias da noite.
Curiosamente, Viriato Soromenho Marques considera que, para Clinton ter sucesso, terá de "encontrar, para vice-presidente, um Sanders mais novo".