Franco

PSOE quer exumar restos mortais de Franco a bem da "hierarquia funerária"

PSOE quer exumar restos mortais de Franco a bem da "hierarquia funerária"

O PSOE apresentou uma proposta de lei para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco, enterrados no Vale dos Caídos, a 60 quilómetros oeste de Madrid, para os entregar à família ou transladar a outro local.

A iniciativa assinada pelo deputado Odón Elorza, registada no Congresso de Deputados espanhol, pretende ainda transladar os restos de José Antonio Primo de Rivera, fundador da Falange espanhola e fuzilado no início da Guerra Civil.

Proceder a essas translações, explica a proposta, poria fim "à hierarquia funerária" sobre os restos das 35 mil vítimas que ali repousam, de forma a que não ocupem "um lugar preeminente na basílica relativamente às demais vítimas".

Para o deputado socialista chegou o momento, "por dignidade democrática", que o conjunto monumental do Vale dos Caídos seja adaptado para dar cumprimento não só ao espírito da Lei de Memória Histórica, mas ao conteúdo das recomendações do relatório de especialistas realizado em 2011.

"É hora de o Vale dos Caídos, um antigo símbolo da repressão do nacional-catolicismo, se converta num espaço de dignificação, honra e homenagem a todas as vítimas dos dois lados da Guerra Civil e da repressão da ditadura", lê-se na proposta.

Odón Elorza considera que Franco, "máximo expoente de um regime totalitário contrário à liberdade e à dignidade de toda a cidadania", não pode presidir a um conjunto monumental que deve servir para homenagear a memória de todas as vítimas da Guerra Civil e da ditadura posterior.

"É além disso imprescindível pôr fim à atual hierarquia funerária que oferece a basílica do Vale dos Caídos, porque constitui uma ofensa e viola o princípio de igualdade de tratamento devido aos restos de todas as pessoas que ali repousam", denúncia.

Consagrado pelo papa João XXIII em 1960, o Vale dos Caídos foi construído entre 1940 e 1958 a mando de Franco, que participou até na conceção da arquitetura do lugar, onde jazem quase 34 mil vítimas da guerra civil que levou o ditador ao poder.

Já em novembro de 2011 a comissão de especialistas, criada pelo então Governo socialista espanhol para analisar o futuro do Vale dos Caídos, tinha recomendado a exumação dos restos mortais de Franco, ali enterrado, para serem entregues à família.

A comissão defendeu porém que os restos mortais de Primo de Rivera devem permanecer naquele espaço.

Os especialistas consideraram que, ao contrário de Primo de Rivera - que está entre as vítimas da Guerra Civil - Franco não morreu devido à guerra, pelo que a permanência dos restos mortais no local não se enquadra no que o Vale dos Caídos pretende representar.

Os dois responsáveis da comissão, Virgilio Zapatero, reitor da Universidade de Alcalá de Henares, e Pedro José González Trevijano, reitor da Universidade Rei Juan Carlos, recomendaram na altura procurar consensos sobre o futuro do monumento.

Na análise, a comissão concluiu que é "impossível" devolver às famílias os restos dos republicanos enterrados junto de Franco no Vale dos Caídos, apesar de haver petições nesse sentido por parte de algumas pessoas.

Os especialistas defenderam na altura que o monumento se deve continuar a chamar Vale dos Caídos, devendo apresentar, à entrada da Basílica, um memorial com os nomes das vítimas da Guerra Civil ali enterradas. Recomendaram também a criação de um centro de interpretação para explicar o que é e quem construiu o Vale dos Caídos.