Emergência

Quase 1,8 milhões de moçambicanos acabaram 2018 em crise alimentar

Quase 1,8 milhões de moçambicanos acabaram 2018 em crise alimentar

Quase 1,8 milhões de moçambicanos encontravam-se no último trimestre de 2018 em situação de crise e emergência alimentar, segundo um relatório hoje divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês), entre setembro e dezembro de 2018, cerca de 1,3 milhões de moçambicanos viviam em situação de crise alimentar, de acordo com a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, enquanto 400 mil se encontravam em situação de emergência e necessitavam de uma "ação urgente para salvar vida, proteger os meios de subsistência" e reduzir a má nutrição aguda.

A FAO indica também que 7,8 milhões de pessoas viviam em risco de crise alimentar acentuada.

A Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar inclui cinco fases para analisar a sua gravidade, nomeadamente mínima, acentuada, crise, emergência e fome, que são definidas com base na disponibilidade e acesso a alimentos, utilização e estabilidade, e vulnerabilidade e risco.

A província de Gaza (sul de Moçambique) foi em 2018 a mais atingida pela crise alimentar, com 20% da sua população a viver em crise alimentar e 318 mil pessoas a precisarem de ajuda urgente.

As restantes províncias do país estavam em situação de crise alimentar acentuada.

"Estes números refletem uma deterioração da segurança alimentar no segundo semestre de 2018 em comparação com os primeiros seis meses do mesmo ano, devido, em grande parte a uma menor produção agrícola", salienta o relatório.

Mas, segundo a FAO, em geral a situação da segurança alimentar em 2018 melhorou se comparada com o ano de 2017, que foi marcado pela prolongada seca de 2015 e 2016, que se arrastou até ao início de 2017.