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Rede anti-suicídio para mudar história da ponte Golden Gate

Rede anti-suicídio para mudar história da ponte Golden Gate

A ponte Golden Gate é o local onde mais pessoas se suicidam, nos EUA e o segundo em todo o Mundo. Para pôr fim a este título negro, as autoridades de S. Francisco vão instalar uma rede anti-suicídio.

Ícone de S. Francisco, presença obrigatória em qualquer filme rodado nas ruas daquela cidade da costa Oeste norte-americana, a Golden Gate é um ponto negro em termos de suicídios. Só no ano passado, 46 pessoas morreram ao saltar da ponte. Em todo o mundo, só a ponte Nankín, sobre o rio Yangtsé, na China, supera este registo.

Imortalizada por Alfred Hithcock, em "Vertigo", a ponte foi concluída em 1937, para ligar S. Francisco ao condado vizinho de Marin, e já serviu de última paragem a 1600 pessoas.

"Só poderemos recuperar do golpe quando cessar o gotejar constante de corpos de pessoas", observou Dan Barks, um cidadão da cidade vizinha de de Napa, que em 2008 perdeu o filho, que se suicidou ao saltar da ponte.

Barks festejou, com lágrimas de dor e de alegria, entre gritos, a decisão da Direção de Estradas e Transportes de instalar uma rede debaixo do tabuleiro da ponte, que se estenderá seis metros para cada lado.

"A presença da rede deterá quem pensa em saltar. Ainda que alguém o faça, ficará ferido sobre a rede, mas salvam-se vidas", disse o diretor geral da ponte, Denis Mulligan.

A Golden Gate estende-se por 2737 metros de comprimento, 1970 em vão, pelo que a instalação da rede é uma operação muito cara e complicada, que não estará terminada antes de 2018.

No total, a instalação da rede está orçada em 76 milhões de dólares, cerca de 60 milhões de euros. Desse montante, cerca de 7 milhões de dólares (5 milhões de euros) serão pagos pelo fundo para a Lei dos Serviços de Saúde Mentais da Califórnia. O resto será custeado pelas agências de transportes locais e federais.

A decisão de instalar a rede na Golden Gate foi tomada após muitos anos de debate, com os opositores do projeto a considerarem que a opção irá estragar um dos principais cartazes turísticos de S. Francisco e que quem quiser suicidar-se o fará escolhendo outro ponto alto.

Mulligan contra-argumenta com dados. A taxa de suicídios desceu drasticamente na ponte Clifton, no Reino Unido, e na Duke Ellington, em Washington, nos EUA, após a instalação de proteções contra suicidas.

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