Aviação

Seis países europeus suspendem voos do Boeing 737 Max

Seis países europeus suspendem voos do Boeing 737 Max

Reino Unido, Irlanda, Alemanha, França, Áustria e Holanda suspenderam, esta terça-feira, os voos com Boeing 737 Max no seu espaço aéreo. A Norwegian e a Tui também pararam os aviões deste modelo.

Os responsáveis dos vários países europeus consideram que a existência de dois acidentes com perda total do aparelho em poucos meses (um 737 Max da Lion Air caiu na Indonésia) e mais de 300 vítimas mortais é suficientemente grave para suspender as operações de voo com este modelo da construtora norte-americana até as investigações aos casos estarem concluídas. A Etiópia, Austrália, Omã, Singapura, China, Indonésia, Irlanda e Malásia também ​​​​​​​já tomaram a mesma decisão.

De acordo com a Autoridade Britânica de Aviação Civil, a decisão foi tomada como uma "medida cautelar" e até o esclarecimento das circunstâncias do acidente com o avião da Ethiopian Airlines. A proibição, que afeta todos os voos que "descolem, aterrem ou sobrevoem" o Reino Unido, permanecerá "até novo aviso".

O ministro alemão dos Transportes, Andreas Scheuer, anunciou entretanto medida similar, declarando que "a segurança deve sobrepor-se a tudo".

As ações da Boeing caíram na segunda-feira 5,33% na bolsa de valores de Wall Street, fazendo com que a sua capitalização no mercado tenha reduzido em quase 13 mil milhões de dólares. Os títulos do fabricante norte-americano caíram hoje 2% na abertura da bolsa de valores.

A Boeing indicou hoje que irá atualizar o software de controle de voo da aeronave 737 MAX para "torná-lo ainda mais segura" antes de abril, data limite que a Agência Federal de Aviação norte-americana (FAA, em inglês) impôs.

A empresa com sede em Chicago (Illinois) disse num comunicado que começou a desenvolver uma atualização de software com a FAA após o acidente do avião (mesmo modelo) da Lion Air na Indonésia, em outubro de 2018, e que irá aplicá-lo à sua frota "nas próximas semanas" e finalizado antes de abril.

A companhia aérea argentina Aerolineas Argentinas anunciou também este terça-feira a "suspensão temporária da exploração comercial" dos seus cinco Boeing 737 MAX 8, após a queda de um avião deste modelo no domingo, na Etiópia, que provocou 157 mortos.

A par da Argentina, várias outras companhias aéreas resolveram manter os seus aviões deste modelo em terra, nomeadamente empresas da Coreia do Sul, Singapura, Índia, Brasil e Dubai.

A decisão da companhia argentina "foi tomada após a análise conjunta feita com a ANAC, a autoridade regulamentar do setor aéreo do país", referiu a empresa de aviação comercial num comunicado publicado na noite de segunda-feira.

A empresa Aerolineas Argentinas referiu que "antes de tudo a segurança", sublinhando que é a sua prioridade.

A Tui, maior operadora de turismo do mundo, anunciou hoje a suspensão temporária dos voos de seus 15 aviões Boeing 737 MAX 8, seguindo as recomendações de várias autoridades aéreas europeias.

As autoridades australianas também suspenderam voos deste modelo da Boeing hoje, tanto em viagens domésticas quanto para outros países.

O diretor executivo da Autoridade de Segurança da Aviação Civil, Shane Carmody, ressaltou que a suspensão estará em vigor enquanto a agência reúne mais informações e analisa os riscos.

Nenhuma companhia aérea australiana usa este modelo da Boeing, mas outras empresas, como a Fiji Airways, voam para o território australiano com esse tipo de aeronave. Outro estado que anunciou hoje a suspensão temporária dos 737 MAX 8 é Singapura.

A companhia aérea de baixo custo SilkAir, subsidiária da Singapore Airlines, possui seis aeronaves Boeing 737 MAX.

O Icelandair Group decidiu também suspender temporariamente as operações de suas três aeronaves Boeing 737 MAX 8.

Também na Ásia, a companhia aérea indiana Jet Airways parou de voar com seu Boeing 737 MAX. A empresa possui cinco aparelhos desse modelo.

Na América Latina, a Aerolíneas Argentinas, a Aeromexico e a brasileira Gol tomaram a mesma decisão na segunda-feira até que haja informações claras sobre o acidente na Etiópia.

A companhia aérea Cayman Airlines também aderiu à suspensão, assim como a empresa marroquina Royal Air Maroc.

Desde segunda-feira, os voos com o Boeing 737 MAX 8 estão também suspensos pela Administração de Aviação Civil da China, pelo Ministério dos Transportes da Indonésia e pela Autoridade de Aviação Civil da Mongólia.

O Boeing 737 MAX da Ethiopian Airlines despenhou-se no domingo de manhã, poucos minutos depois de ter descolado de Adis Abeba para a capital do Quénia, Nairobi.

O acidente provocou a morte das 157 pessoas (149 passageiros e oito tripulantes) que seguiam a bordo.