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Resgate da "troika" criou mais um milhão de pobres na Grécia

Resgate da "troika" criou mais um milhão de pobres na Grécia

A economia grega encolheu 22% e tem mais um milhão de pobres desde 2010, quando Atenas pediu o primeiro resgate. Cinco anos depois, já está a crescer mas persistem os receios de uma saída da Grécia do euro.

A história da crise recente da Grécia começa a contar-se a 23 de abril de 2010, quando o Governo grego liderado pelo socialista George Papandreou pediu o primeiro resgate financeiro da crise europeia: nesse ano, o Produto Interno Bruto (PIB) helénico caiu 5,4%, o défice orçamental foi de 11,1%, a dívida pública de 146% e o desemprego chegou aos 12,7%, segundo os números do Eurostat.

E ainda em 2010, o governo grego fechou um programa de assistência financeira com a Europa e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que ultrapassou os 100 mil milhões de euros mas que acabou por se revelar insuficiente.

O país teve de recorrer a um segundo resgate em março de 2012, com o compromisso da "troika" (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) de desembolsar os fundos que ficaram por entregar no primeiro envelope e mais 130 mil milhões de euros até ao final de 2014.

O atual executivo grego, liderado por Alexis Tsipras, está desde fevereiro - quando foi prolongado o segundo programa de resgate, até junho - em negociações com os credores oficiais sobre as reformas a adotar para aceder à última tranche daquele programa, no valor de 7,2 mil milhões de euros.

Na sexta-feira, cinco anos e um dia depois do pedido de resgate financeiro da Grécia, os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) reúnem-se na Letónia para discutir mais uma vez a situação do país, numa altura em que aumentam os receios sobre um incumprimento dos compromissos do Estado grego face aos credores ou mesmo de um '"Grexit", uma palavra usada na gíria europeia para designar uma eventual saída da Grécia da moeda única.

O objetivo dos resgates da Grécia, que integrou a União Europeia em 1981, é apoiar os esforços para restaurar a sustentabilidade orçamental e implementar as reformas estruturais para melhorar a competitividade da economia, lançando os fundamentos para um crescimento económico sustentável. Os programas incluíram nos últimos quatro anos duras medidas de austeridade e um vasto conjunto de privatizações.

No entanto, as estatísticas do Eurostat (gabinete europeu de estatística) relativas a 2014 mostram que muitos dos problemas da economia grega continuavam por resolver no ano passado: apesar de o PIB ter recuperado 0,8%, o défice orçamental atingiu os 3,5%, as contas externas foram negativas, a dívida pública subiu para 177,1% e o desemprego atingiu um valor recorde, de 26,5% da população ativa.

Entre 2010 e 2014, a economia helénica contraiu-se em 22%, ou seja, em cinco anos o PIB recuou mais de 52 mil milhões de euros.

Além disso, neste período, mais 900 mil gregos passaram a viver em risco de pobreza e exclusão social, representando 35,7% da população total residente na Grécia.

Já para 2015, a Comissão Europeia prevê uma aceleração da recuperação económica grega de 2,5%, uma queda do desemprego em 1,5 pontos percentuais, um excedente orçamental de 1,1% do PIB e a inversão da trajetória da dívida pública, que deverá cair cerca de sete pontos do PIB.