Espanha

Retiraram-lhe a filha e foi mãe de gémeos aos 64 anos

Retiraram-lhe a filha e foi mãe de gémeos aos 64 anos

Enfrenta um coro de críticas e suspeitas desde que decidiu ser mãe aos 64 anos, depois de os Serviços Sociais espanhóis lhe terem retirado a filha. Mauricia Ibáñez decidiu quebrar o silêncio e explicar as suas razões.

Numa entrevista concedida ao diário "El País", a ex-funcionária do Ministério dos Assuntos Exteriores falou sobre a decisão de fazer tratamentos de fertilidade nos Estados Unidos da América para ser mãe novamente, mesmo depois de ter perdido a custódia da filha para o Estado.

"Decidi voltar a ser mãe, porque a experiência de ter a Blanca, a minha primeira filha, foi tão estupenda, que me perguntei: e se puder ter mais? Além disso, a idade não me preocupa em absoluto. É certo que sou mais velha, mas foi possível engravidar. A ciência e a medicina são a última oportunidade para as pessoas mais velhas". Mauricia Ibáñez continua a argumentar: "Um homem de 65 anos pode ter filhos perfeitamente, mas se for uma mulher já se questiona... Porquê?"

Mauricia vive na pequena localidade de Palacios de la Sierra, a 70 quilómetros de Burgos. Quando lhe perguntam por que lhe retiraram Blanca, em 2014, com apenas três anos de idade, diz que não sabe responder.

Segundo o relatório dos Serviços Sociais, citado pelo "El País", Blanca vivia num "certo isolamento", numa "casa sem as mínimas condições de higiene". A menina também era "vestida de forma inadequada" e não frequentava a escola, apesar das recomendações dos profissionais.

Mauricia contesta, alegando que Blanca não poderia estar desamparada, porque estava sempre com ela e lembrando que, em Espanha, a escolaridade obrigatória só começa aos seis anos de idade.

"Foi terrível", lembra. "Chegaram quatro guardas civis e arrancaram-ma dos braços. Não pode ser. Não podem vir a tua casa e levar os teus filhos. Ou fazes o que os serviços sociais dizem ou levam a tua filha".

De nada valeu o apoio do povo de Palacios de la Sierra ou a carta da presidente o governo regional a garantir que Mauricia tinha condições parar criar a sua filha.

Quando decidiu que queria ser mãe, há cerca de dez anos, encontrou de imediato a oposição da família, que recorreu aos tribunais para que lhe fosse retirado o passaporte e a proibissem de viajar para fora do país para fazer tratamentos de fertilidade.

Nessa altura, Mauricia já se encontrava reformada por incapacidade, sofrendo de um transtorno paranoide de personalidade. Contudo, depois da avaliação de peritos, o tribunal considerou que Mauricia era perfeitamente capaz de cuidar de si e de uma criança.

Hoje não tem Blanca. Mas tem dois recém-nascidos para cuidar. Gabriel e María de la Cruz, nascidos no passado dia 14 de fevereiro. Apesar de todos os receios, Mauricia diz: "Tudo valeu a pena".