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Reveladas alegadas irregularidades na operação que levou Lula à prisão

Reveladas alegadas irregularidades na operação que levou Lula à prisão

Mensagens privadas divulgadas numa investigação jornalística colocam em causa a parcialidade do ex-juiz brasileiro Sérgio Moro e revelam irregularidades na operação Lava Jato, que terão prejudicado Lula da Silva.

Conversas privadas entre agentes públicos que participaram na Lava Jato, maior operação contra a corrupção no Brasil, indicam que terá havido colaboração ilegal e falta de imparcialidade na investigação, revelou o portal de investigação jornalística The Intercept, liderado por Glenn Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana.

O portal em causa iniciou a publicação, no passado domingo, de uma série de reportagens sobre a operação Lava Jato. Os conteúdos divulgados continham mensagens privadas trocadas entre promotores e juízes brasileiros na aplicação móvel de mensagens Telegram, que foram denunciadas de forma anónima.

Segundo o Intercept, conversas privadas revelam que o ex-juiz Sérgio Moro sugeriu ao procurador Deltan Dallagnol que alterasse a ordem das fases da operação Lava Jato, deu conselhos, indicou caminhos de investigação e orientou os promotores encarregados do caso, ajudando a acusação e violando a legislação brasileira que exige imparcialidade aos juízes.

Moro, atualmente ministro da Justiça e Segurança Pública, ganhou notoriedade como juiz da operação Lava Jato, por condenar empresários, funcionários públicos e políticos de renome, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A acusação contra Lula, condenado a nove anos e seis meses de prisão num caso sobre um apartamento de luxo supostamente recebido como suborno de uma construtora, foi citada pelas reportagens do Intercept. Segundo aquele portal, as mensagens indicam que os próprios promotores da Lava Jato tinham sérias dúvidas sobre a qualidade das provas contra o ex-presidente, que ficou fora da eleição presidencial de 2018, quando era o candidato favorito, segundo as sondagens realizadas na altura.

Noutras conversas reveladas pelo Intercept, um grupo de promotores da Lava Jato discute formas de impedir uma entrevista que Lula da Silva deveria dar ao jornal "Folha de São Paulo", alegando que a mesma poderia beneficiar o Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições.