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Saiba quais os estadistas que foram embalsamados

Saiba quais os estadistas que foram embalsamados

Hugo Chávez vai ser mais um estadista a ser embalsamado de forma a perpetuar o culto à sua figura. Juan Domingo Perón e a sua mulher, Evita, o ex-presidente angolano Agostinho Neto, o ex-chefe do Estado russo Vladimir Lenin e o fundador da República Popular da China, Mao Tse-Tung, são algumas das figuras cujos corpos foram mumificados.

"Quero dizer ao povo e ao mundo (...) que se decidiu preparar o corpo do comandante presidente, embalsamá-lo, para que fique exposto eternamente, para que o povo possa tê-lo ali", afirmou o vice-presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, numa declaração emitida pela televisão estatal.

"Assim como está Ho Chi Minh, como está Lenine, como está Mao Tsé-Tung, ficará o corpo do nosso comandante embalsamado no Museu da Revolução, de maneira especial para que possa estar numa urna de cristal e o nosso povo possa tê-lo para sempre", assinalou.

Figuras embalsamadas

Na América Latina, foram embalsamados os corpos do general Juan Domingo Perón (em 1974) e a sua mulher, Evita (em 1952). Ambos os corpos encontram-se sepultados em Buenos Aires.

Na Rússia, equipas de especialistas em embalsamento preservaram os corpos de Vladimir Lenine (1924), o estadista búlgaro Geórgi Dimitrov (1949), do checoslovaco Klement Gottwald (1953), e do angolano Agostinho Neto (1979).

O corpo de Lenine está exposto no "Mausoléu de Lenine", situado na Praça Vermelha de Moscovo, e é um dos locais mais visitados da capital russa. De igual forma, Joseph Stalin, sucessor de Lenine, foi embalsamado (1953).

O fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, teve também o seu corpo embalsamado (1976), sendo hoje um ponto de visita obrigatória a quem se desloca à Praça de Tiananmen, em Pequim.

Como se embalsama

A prática do embalsamento vem do antigo Egito, em que se utilizavam substâncias químicas ou resinas para evitar a putrefação do cadáver.

Na atualidade, para embalsamar um corpo é necessário lavá-lo com germicidas - substâncias que destroem os gérmenes - e limpar os orifícios corporais, como o nariz e a boca. De igual forma, é colocado algodão nas cavidades, evitando, assim, a saída de fluidos. A boca é suturada de forma a prevenir possíveis contaminações.

Posteriormente, o corpo é massajado para eliminar a rigidez e melhorar o aspeto da pele com cremes e óleos. Uma vez preparado o cadáver, procede-se à retirada do sangue e das vísceras. Por uma das artérias é introduzida uma solução de embalsamento, que geralmente é constituída por uma mistura de formol, água e produtos químicos, além de conservantes, fixadores, germicidas e corantes semelhantes à cor do sangue.

Esta foi a forma encontrada para que o corpo recupere um tom natural e não mantenha o aspeto que ganha após a morte.

Quando há órgãos danificados devido a determinadas doenças - como o cancro ou o diabetes - o líquido de embalsamento é injetado diretamente no órgão. Quando o corpo está inchado, devido à quimioterapia ou aos medicamentos, são empregues substâncias que facilitam a eliminação dos líquidos e o inchaço.

Depois de embalsamado, o corpo necessita de uma manutenção constante, e tem de ser colocado num local frio e pouco húmido.

"Duas vezes por semana, molhávamos a cara e as mãos com uma solução especial, e uma vez por ano fechávamos o recinto para submergir todo o corpo nessa solução", revelou à BBC Mundo Ilya Zbarsky, membro da equipa de manutenção do corpo de Lenine.

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