Brexit

Se acordo falhar, "podemos nunca sair" da União Europeia, diz May

Se acordo falhar, "podemos nunca sair" da União Europeia, diz May

A primeira-ministra britânica, Theresa May, exortou esta sexta-feira a União Europeia (UE) a oferecer concessões que facilitem a aprovação de um Acordo de Saída do Reino Unido no parlamento na terça-feira, argumentando que "é do interesse europeu". Sobre uma possível não aprovação desse mesmo acordo, May disse que traria incerteza: "podemos não deixar a UE durante muitos meses. Podemos sair sem as proteções que o acordo oferece. Ou podemos nunca sair".

"Tal como os deputados vão enfrentar uma grande escolha na próxima semana, a UE também tem que fazer uma escolha. Nós somos ambos participantes neste processo. É do interesse europeu que o Reino Unido saia com um acordo", disse, num discurso numa fábrica em Grimsby, no norte de Inglaterra.

Segundo May, "as decisões tomadas pela União Europeia nos próximos dias terão um grande impacto no resultado da votação", pelo que apelou aos líderes que lhe terão manifestado preocupação com a proximidade da data de saída, dentro de três semanas, a 29 de março.

"Agora é o momento de agir", disse.

No seu discurso, Theresa May afirmou que os deputados britânicos também enfrentam uma "escolha crucial" e que só a aprovação do documento garante a saída da UE.

"Rejeitem-no e ninguém sabe o que vai acontecer. Podemos não deixar a UE durante muitos meses. Podemos sair sem as proteções que o acordo oferece. Ou podemos nunca sair. A única certeza seria a contínua incerteza", argumentou.

O discurso foi feito numa localidade onde 71,45% dos eleitores votaram pela saída da UE no referendo de 2016, acima da média nacional de 51,9% que votou pelo 'Brexit'.

Votação na próxima semana

O Governo britânico continua a procurar "alterações legalmente vinculativas" à solução de último recurso, designada por 'backstop' e que pretende evitar uma fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte e a vizinha Irlanda, membro da UE após o 'Brexit'.

O Acordo de Saída negociado pelo governo britânico com Bruxelas precisa de ser aprovado num "voto significativo" no parlamento para ser ratificado, mas foi reprovado em 15 de janeiro por 432 votos contra e 202 a favor, uma margem de 230 votos.

Entre os que votaram contra estiveram 118 deputados do partido do governo, o partido Conservador.

Na quinta-feira, o Procurador-Geral do governo britânico, Geoffrey Cox, disse no parlamento que as negociações estão em curso e que "continuarão quase certamente durante o fim de semana".

As alterações pretendem responder às preocupações dos eurocéticos perante o risco de o mecanismo de salvaguarda reter o Reino Unido numa união aduaneira com a UE indefinidamente.

O 'backstop' seria ativado caso a parceria futura entre Bruxelas e Londres não ficasse fechada antes do final do período de transição, que termina em 31 de dezembro de 2020, e não pode ser denunciado de forma unilateral, ficando em vigor até ser encontrado um entendimento.