Ambiente

Suíça vai votar a proibição total do uso de pesticidas

Suíça vai votar a proibição total do uso de pesticidas

Os cidadãos suíços vão poder votar na proibição da utilização de pesticidas sintéticos, após defensores da medida assegurarem assinaturas suficientes para haver referendo. A petição formal será apresentada à Chancelaria Federal a 25 de maio.

Mais de 100 mil suíços assinaram o pedido de proibição que se aplica a todos os agricultores, indústrias e alimentos importados, de acordo com a BBC.

"No início, começou devagar, mas depois começou a juntar muito apoio, especialmente de jovens. Depois ganhou impulso e, no fim, tínhamos imensas assinaturas", contou Antoinette Gilson, que pertence ao grupo de suíços a favor da proibição.

Os detalhes das assinaturas serão verificados e transferidos para o Conselho Federal suíço, que terá um ano para dar recomendações ao parlamento. Os legisladores têm, então, mais dois anos para agendar uma votação ou para apresentar uma contra-iniciativa que também poderá figurar na votação.

Assim, pode demorar, pelo menos, três anos até os eleitores votarem. Se aprovada, todos os pesticidas sintéticos são eliminados ao longo de um período de 10 anos.

"Não usar pesticidas vai promover uma mudança completa nas práticas agrícolas", disse Antoinette Gilson. "Pode ser difícil, mas, na Suíça, já cerca de 13% dos agricultores são orgânicos".

As regras também se aplicam às importações, o que poderá ter impactos significativos nos países vizinhos, já que a Suíça importa quase 500 kg de alimentos per capita.

Agricultores e representantes do setor rejeitam a ideia do referendo, dizendo que é extremo e que não obterá apoio popular. "A iniciativa é demasiado radical", disse Anna Bozzi, da Indústrias da Ciência da Suíça, em comunicado. "Os produtos fitofarmacêuticos são indispensáveis ​​para afastar doenças e pragas. Uma proibição geral afetaria tremendamente os rendimentos, bem como a qualidade dos produtos agrícolas na Suíça. A proibição de importações impediria a oferta e aumentaria os preços".

Os defensores da iniciativa acreditam que, se a votação na Suíça for realizada, terá efeitos indiretos noutras pessoas. "Estou convencido de que outros países podem seguir o exemplo", disse o professor Edward Mitchell, da Universidade de Neuchâtel.

Nos últimos 12 meses, o uso de pesticidas tem sido um tema muito debatido em toda a Europa. Depois de meses de impasse, a União Europeia (UE) aprovou novamente o herbicida glifosato por cinco anos. Apenas há algumas semanas, a UE concordou com uma proibição quase total do uso de neonicotinoides, a classe de inseticidas mais usada no mundo.

Se a votação for aprovada, a Suíça vai tornar-se o segundo país, depois do Butão, a implementar uma proibição total de pesticidas. A aprovação desta iniciativa terá também um maior significado global, uma vez que a Suíça é o lar da maior fabricante mundial de pesticidas, a Syngenta.

A petição formal será apresentada à Chancelaria Federal, em Berna, no dia 25 de maio.

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