Espanha

Tensão no 35.º ano da morte de Franco

Tensão no 35.º ano da morte de Franco

O 35.º aniversário da morte de Franco ficou marcado por duas manifestações à porta da Igreja do Vale dos Caídos, único símbolo do regime fascista que ainda resiste. Franquistas e antifascistas encontraram-se na basílica onde se realizava a missa pelo ditador.

O Vale dos Caídos foi ontem, ao início da tarde, alvo de momentos de grande tensão devido ao encontro de manifestantes de facções opostas: franquistas e antifascistas. Os dois grupos gritaram e insultaram-se, acabando por ter de ser separados por um forte dispositivo da Guarda Civil, que obrigou as pessoas a abandonarem o local, evitando incidentes e distúrbios maiores. Cerca de 30 pessoas foram detidas e sancionadas com "multas pesadas", uma vez que a polícia avisara que teria "tolerância zero" com a violência.

O encontro aconteceu porque tanto o Fórum da Memória da Comunidade de Madrid como o Fórum Social da Serra de Guadarrama decidiram convocar uma concentração para o Vale dos Caídos. A ideia era bombardear "de forma controlada" a Grande Cruz de Cuelgamuros, onde estão sepultados os restos mortais de Franco, e celebrar "a conquista de um espaço usurpado pelo franquismo durante vários anos."

Os detractores de Franco, que enchiam dois autocarros, desfilaram com bandeiras republicanas e gritos de ordem como "Queremos verdade, justiça e indemnização para as vítimas do franquismo",  no momento em que cerca de cem apoiantes de Franco assistiam à sua missa. Aí, a tensão entre partidários e opositores eclodiu. O pingue-pongue de insultos terá durado 35 minutos.

O presidente da Federação do Fórum para a Memória, José Maria Pedrosa, explicou que o Vale dos Caídos "é o único monumento de exaltação do fascismo existente na Europa." Exigiu, por isso, que seja dessacralizado e desmantelado, uma vez que a Grande Cruz do edifício "não é um símbolo do Cristianismo, mas do poder franquista, cruz de castigo e prepotência". A Federação quer o monumento seja transformado num "memorial democrático" e removido da rota turística.

A Associação para a Recuperação da Memória Histórica aproveitou a efeméride para enviar uma carta ao primeiro-ministro, José Luis Zapatero, perguntando "por quanto tempo mais" deverão as vítimas do regime de Franco continuar a pagar com os seus impostos o Vale dos Caídos, "túmulo do ditador responsável por assassinar dezenas de milhares de civis."