Reino Unido

Theresa May demite-se da liderança do Partido Conservador

Theresa May demite-se da liderança do Partido Conservador

A primeira-ministra britânica anunciou esta sexta-feira de manhã, em direto, em Londres, a demissão da liderança do Partido Conservador. May deixa o cargo a 7 de junho.

"Anuncio que me demito como líder do Partido Conservador para que possa ser escolhido um sucessor", declarou May aos jornalistas à porta da residência oficial, em Downing Street. "Fiz tudo o que era possível para convencer os deputados para apoiar o acordo com a UE. Infelizmente, não consegui. Tentei três vezes. Penso que fiz bem em persistir, mesmo quando as probabilidades de insucesso eram altas. Mas é claro agora para mim que é melhor para o país que um novo primeiro-ministro lidere esse processo", acrescentou.

A demissão da liderança será formalizada no dia 7 de junho, para que a eleição comece na semana seguinte.

May mantém-se em funções até que o partido tenha eleito um novo líder, o que não deverá acontecer até ao final de julho, incluindo durante a visita de Estado do presidente dos EUA, Donald Trump, entre 3 e 5 de junho.

"Sei que o Partido Conservador pode renovar-se nos próximos anos. Sei que conseguiremos fazer o Brexit", afirmou Theresa May. A primeira-ministra terminou o discurso de forma emotiva: "Tenho orgulho de poder servir o país que amo".

Enquanto primeira-ministra, não pode renunciar até que esteja em posição de dizer à rainha Isabel II quem esta deve nomear como sucessor.

A demissão da liderança deverá tornar-se efetiva a 7 de junho, iniciando os procedimentos, que passam, numa primeira fase, por uma série de votações dentro do grupo parlamentar que eliminam progressivamente os vários candidatos a apenas dois, que depois serão sujeitos ao voto de todos os militantes do partido.

May já tinha prometido em março que iria sair, mas na altura pediu para "acabar o trabalho", assumindo como missão implementar o resultado do referendo de 2016 que determinou o Brexit.

Mas a pressão sobre Theresa May aumentou nos últimos dias, incluindo dentro do Governo e de deputados até agora fiéis, devido à perspetiva de o acordo de saída da União Europeia (UE) ser chumbado no parlamento por uma quarta vez.

Apresentada na terça-feira, a nova proposta de lei para o Brexit estava prevista para ser votada a 7 de junho e incluía como novidade a possibilidade de voto sobre um novo referendo, o que desagradou a vários ministros.

As três anteriores propostas de Brexit negociadas pela primeira-ministra britânica com Bruxelas foram rejeitadas por maiorias parlamentares, conduzindo a um impasse que obrigou Londres a prolongar o prazo de saída da União Europeia até 31 de outubro.