Reino Unido

Theresa May sobrevive a moção de censura dos conservadores

Theresa May sobrevive a moção de censura dos conservadores

Theresa May mantém-se na liderança dos conservadores, depois de a moção de censura lançada por membros do partido contra a primeira-ministra britânica ter sido rejeitada, esta quarta-feira.

May venceu a moção por 200 contra 117 votos. Os 315 deputados votaram entre as 18 e as 20 horas e os resultados foram anunciados às 21 pelo presidente do comité 1992 (grupo parlamentar dos conservadores), Graham Brady.

Para vencer a moção de censura convocada por deputados conservadores para a afastar da liderança do partido, por serem contra o acordo de 'Brexit' por ela negociado com Bruxelas, e se manter como líder dos 'Tories' e primeira-ministra, May precisava apenas de 159 votos - uma maioria simples (metade dos 317 votos mais um).

De acordo com as regras do partido, a líder do partido fica imune a novas moções de censura durante um ano.

O voto foi desencadeado após pelo menos 48 deputados conservadores terem escrito a Brady a retirar a confiança à primeira-ministra por discordarem do acordo negociado com Bruxelas para a saída do Reino Unido da União Europeia.

May tem agora o desafio de conseguir aprovar o documento, cujo voto previsto para terça-feira foi adiado na véspera perante a perspetiva de rejeição e com a promessa de conseguir dos líderes europeus "garantias adicionais" sobre a condição provisória da solução 'backstop' para a fronteira da Irlanda do Norte.

Se o texto do acordo for aprovado, segue-se uma saída ordeira da UE, mas, se for chumbado, o Governo terá 21 dias para indicar o que pretende fazer e poderá ter de avaliar algumas alternativas, como o modelo da Noruega, que tem acesso ao mercado único sem ser membro da UE - uma solução que poderia ter o apoio da maioria dos deputados.

Theresa May disse na segunda-feira que seu Governo "acelerou os preparativos" para a ausência de acordo, temida especialmente pelos empresários e instituições, aumentando o risco de escassez de medicamentos, engarrafamentos junto aos portos marítimos, aviões impedidos de voar e uma recessão económica.

O adiamento da votação do acordo na segunda-feira refletiu a importância que Theresa May dá a este procedimento, pois uma rejeição poderia obrigá-la a demitir-se ou a enfrentar uma moção de censura da oposição protagonizada pelo partido Trabalhista, que tem possibilidade de passar devido à ausência de maioria do Partido Conservador no parlamento.

Nesse caso, seria iniciado um período de duas semanas para ser formado um Governo com o apoio da maioria dos 650 deputados ou, se não for possível, a convocação de eleições legislativas antecipadas, a via preferida do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que tem sempre defendido o respeito pelo referendo de 2016 que ditou o 'Brexit'.

Apesar de existir um número crescente de apoiantes e argumentos a favor de um novo referendo para desbloquear o impasse parlamentar, esta via não é defendida nem por Theresa May nem pelo líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

May reconhece "número significativo" de votos contra

A primeira-ministra britânica prometeu escutar o "número significativo" de deputados do partido Conservador que votaram contra ela na moção de censura interna.

Numa declaração junto à residência oficial, em Downing Street, Theresa May agradeceu o apoio dos 200 deputados que mostraram confiança, mas reconheceu a importância dos 117 votos contra.

"Um número significativo de colegas depositou um voto contra mim e eu escuto o que estão a dizer", afirmou.

May prometeu "continuar com o trabalho de concretizar o 'Brexit' para os britânicos e construir um futuro melhor" para o país, mas também tentar "unir o país de novo em vez de agravar as desavenças".

"Isso deve começar aqui em Westminster, com os políticos de todos os lados a juntarem-se e a agir no interesse nacional", urgiu.