Golfo

Tripulação de navio japonês atacado no mar de Omã diz ter visto "objeto no ar"

Tripulação de navio japonês atacado no mar de Omã diz ter visto "objeto no ar"

A tripulação a bordo do petroleiro japonês que foi alvo de ataque na quinta-feira no mar de Omã, em pleno Golfo, disse ter visto "um objeto no ar" em direção ao navio, segundo relato do comandante.

"Os marinheiros dizem que o barco foi atingido por um objeto voador, eles viram com seus próprios olhos", disse Yutaka Katada, CEO da Kokuka Sangyo, acrescentando ter recebido um relatório "de que algo tinha voado para o navio e que depois ocorreu uma explosão.

Katada disse na quinta-feira que o navio, que transportava metanol, aparentemente sofreu dois ataques sucessivos.

Após o primeiro, "os marinheiros manobraram para tentar fugir, mas o barco foi novamente alvejado três horas depois", detalhou.

Dois petroleiros, um norueguês e outro japonês, foram alvo de um ataque no mar de Omã, em pleno Golfo, uma região já sob tensão devido à crise entre os Estados Unidos e o Irão.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irão de ser "responsável" pelos ataques contra os petroleiros, após anteriores incidentes com quatro navios, incluindo três petroleiros, ao largo dos Emirados Árabes Unidos.

"O Governo dos Estados Unidos considera que a República islâmica do Irão é responsável pelos ataques no mar de Omã", disse na quinta-feira aos jornalistas em Washington.

Ao justificar as suas acusações, Pompeo evocou as informações recolhidas pelos serviços de informações, "as armas utilizadas", os anteriores ataques contra os navios que Washington também atribuiu a Teerão e o facto de nenhum dos grupos aliados do Irão na região possuir os meios para atingir "um tal nível de sofisticação".

Pompeo considerou ainda que o Irão pretende impedir a passagem de petróleo pelo estreito de Ormuz. Por sua vez, o Governo iraniano acusou Washington de "sabotagem diplomática", depois dos Estados Unidos terem acusado Teerão de ser responsável pelos ataques.

"O facto de os Estados Unidos aproveitarem imediatamente a oportunidade para lançar alegações contra o Irão, [sem] provas fundamentadas ou circunstanciais, prova que [Washington e os seus aliados árabes] passaram para o plano B: o de sabotagem diplomática", escreveu na rede social Twitter o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif.

Numa nota divulgada esta manhã, Teerão já tinha rejeitado qualquer responsabilidade e alertado para o "comportamento maligno" dos EUA que tinham classificado os ataques como "mais um exemplo das atividades desestabilizadoras do Irão na região".

Mohammad Javad Zarif considerou suspeitos os ataques terem coincidido com a visita histórica do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ao Irão.

A visita de Abe é a primeira de um chefe de Governo japonês desde a revolução islâmica de 1979 e a primeira de um líder de um país do G7 desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o abandono dos EUA do acordo nuclear.