Violência

Tropas israelitas acusadas de disparar contra palestiniano algemado e vendado

Tropas israelitas acusadas de disparar contra palestiniano algemado e vendado

Um adolescente palestiniano hospitalizado disse, na segunda-feira, que foi baleado nas coxas por soldados israelitas enquanto estava algemado e vendado.

Osama Hajahjeh, 16 anos, disse que estava a tentar fugir dos soldados quando foi baleado na quinta-feira, adiantando que o incidente ocorreu na sua aldeia de Tekoa após o funeral de um professor, que tinha sido atropelado por um israelita.

O adolescente, que se encontra no hospital da cidade de Beit Jala, na Cisjordânia, indicou ter sido detido por um soldado após o funeral e ter sido algemado e vendado. Depois de detido, disse ter tentado fugir e ter sido baleado.

Para a organização de defesa dos direitos humanos israelita B'Tselem, o incidente foi o último de uma série de disparos injustificados contra jovens palestinianos, quatro dos quais foram mortos na Cisjordânia desde o início de março.

Uma imagem de um fotógrafo local mostra soldados numa aparente perseguição de Hajahjeh, que tinha os olhos com uma venda e as mãos amarradas atrás das costas.

Num comunicado, os militares disseram que o adolescente foi detido após participar num "arremesso de pedras em massa" contra as forças israelitas.

"O detido estava num local próximo e começou a fugir da força [militar]. Os soldados perseguiram-no e dispararam abaixo do abdómen", indicaram, sem nada referirem sobre o jovem ter sido algemado e vendado e adiantando que lhe foi oferecido tratamento após o disparo.

O pai de Hajahjeh, Ali, disse estar agradecido ao soldado que prestou assistência ao seu filho, mas assinalou que Osama nunca devia ter sido baleado.

"Apenas uma pessoa doente dispararia contra um rapaz vendado", adiantou, citado pela agência noticiosa norte-americana Associated Press.

A B'Tselem tem criticado as investigações militares, considerando que raramente resultam numa punição e que são utilizadas para branquear os abusos das tropas.

"Como os anteriores quatro casos que investigámos, este é um exemplo da imprudência de Israel na utilização de fogo letal e do facto de as vidas dos palestinianos contarem muito pouco para os militares", disse Roy Yellin, um porta-voz da organização de direitos humanos.