Ucrânia

Ucrânia aprovou controversa lei sobre uso da língua russa

Ucrânia aprovou controversa lei sobre uso da língua russa

O parlamento da Ucrânia aprovou, esta terça-feira, na generalidade, uma controversa lei que permite o uso da língua russa a par da ucraniana nas regiões com maioria de falantes deste idioma.

A polémica lei sobre a política linguística estatal, que concede estatuto de idiomas cooficiais a 18 línguas minoritárias, incluindo o russo, é contestada pela oposição ucraniana, que considera que a legislação irá "sufocar" o desenvolvimento da língua ucraniana uma vez que milhares de falantes de russo deixarão de ser incentivados a aprendê-la.

A legislação prevê que o ucraniano continue como a única língua oficial, mas permite que o russo seja usado em tribunais, hospitais e outras instituições nas regiões com maioria de falantes de russo.

A 24 de maio, o debate sobre esta legislação no parlamento degenerou numa violenta cena de pancadaria entre membros da oposição e do partido que suporta o governo do Presidente Víktor Ianukovitch, tendo um deputado sido hospitalizado.

Esta terça-feira, enquanto os deputados votavam a lei, cerca de nove mil manifestantes concentraram-se em frente ao parlamento pelo chumbo da iniciativa, segundo o Ministério do Interior ucraniano.

Manifestações contrárias à iniciativa, com cerca de mil participantes cada, realizaram-se também nas cidades de Lviv e Jarkiv.

Apesar de o presidente Víktor Ianukovitch ter prometido durante a campanha eleitoral conceder ao russo o estatuto de segunda língua nacional, o seu partido não tem lugares suficientes no parlamento que lhe permitam promover a necessária reforma da Constituição.

A lei aprovada no parlamento ucraniano concede assim estatuto de línguas cooficiais a 18 idiomas minoritários que se falam no país, especialmente nas regiões em que são faladas por pelo menos 10% dos seus habitantes.

A oposição nacionalista, liderada por Iulia Timochenko - que cumpre sete anos de prisão num processo relacionado com a assinatura de um contrato de compra e venda de gás entre a Rússia e a Ucrânia - prometeu "guerra" à maioria parlamentar para não permitir que a lei seja aprovada de forma definitiva nas sucessivas leituras.

Por seu lado, Arseni Yatseniuk, deputado do grupo parlamentar do também oposicionista Nossa Ucrânia, garantiu "não permitir que a lei seja aprovada em segunda leitura", ou seja na segunda votação com emendas, que antecede a decisão final.