Europa

UE deve aplicar "procedimentos adequados" contra populistas, diz Merkel

UE deve aplicar "procedimentos adequados" contra populistas, diz Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu esta terça-feira que os valores europeus devem ser preservados todos os dias e que governos populistas na União Europeia devem ser alvo de procedimentos como os aplicados à Hungria e à Polónia.

Merkel, que falava num debate com alunos de uma escola de Berlim por ocasião do "Dia do Projeto Europeu", explicou que a União Europeia (UE) tem instituições democráticas semelhantes às de cada país, um Parlamento, uma Comissão Europeia e um Conselho Europeu, mas frisou que "não se pode esquecer que é formada por 28 países distintos".

A defesa dos valores democráticos "não deve ser dada por adquirida", mas "preservada todos os dias", pelo que, quando surgem forças "contrárias a esses princípios", devem ser aplicados "os procedimentos convenientes", como ocorreu com a Hungria e a Polónia, disse, citada pela agência EFE.

A chanceler falava na escola secundária Thomas-Mann, na localidade berlinense de Reinickendorf, onde cerca de 70% dos alunos são de origem estrangeira.

O debate na escola, que desde 2007 tem um projeto para fomentar o interesse pelas questões europeias, centrou-se nas eleições europeias de maio e na integração dos refugiados na Alemanha.

Em resposta a um dos alunos, de origem síria, que usou a expressão "vaga de refugiados" para se referir à crise migratória de 2015, quando a Alemanha recebeu quase um milhão de refugiados, Merkel advertiu: "Cuidado com as palavras. Embora cheguem muitos de cada vez, cada um deles é uma pessoa e o seu caso deve ser avaliado de forma individual".

A chanceler foi especialmente aplaudida quando defendeu a mobilização dos jovens em manifestações contra as alterações climáticas -- "Precisamos delas, nós os políticos, para nos apercebermos até que ponto compreendem o que está em jogo".

Merkel foi também questionada sobre se "defende o artigo 13.º" da nova lei europeia de direitos de autor, aprovada na semana passada no Parlamento Europeu (PE), que obriga as plataformas da internet a proteger determinados conteúdos, contra o qual dezenas de milhares de jovens alemães protestaram nos últimos dias.

"Sei que os amigos da internet temem uma espécie de censura", disse, mas "há tempo", dado ser ainda uma diretiva que ainda não terminou a tramitação até ser transposta, e assegurou que "em nenhum caso vai paralisar a rede".