Brexit

"UE não pode ser refém de uma crise política no Reino Unido", diz Macron

"UE não pode ser refém de uma crise política no Reino Unido", diz Macron

O presidente francês recusou esta terça-feira que a União Europeia fique refém da crise política no Reino Unido e frisou que ou, Londres apresenta "um plano alternativo credível até 10 de abril", ou "terá escolhido 'de facto' sair sem acordo".

"A nossa prioridade deve ser o bom funcionamento da União Europeia e do mercado único. A UE não pode ser prolongadamente refém da resolução de uma crise política no Reino Unido", disse Emmanuel Macron à imprensa em Paris, ao receber o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar.

Macron sublinhou que "a rejeição por três vezes do acordo pela Câmara dos Comuns e a rejeição, nesta fase, de qualquer plano alternativo, colocam-nos no caminho de uma saída sem acordo".

"Se o Reino Unido não for capaz, quase três anos após o referendo, de apresentar uma solução que tenha o apoio de uma maioria, terá escolhido 'de facto' por si próprio sair sem acordo", afirmou.

Para o presidente francês, cabe ao Reino Unido "dizer", "e dizer já", se o plano alternativo passa por novas eleições legislativas, por um segundo referendo ou uma união aduaneira, mas, advertiu, uma extensão longa do artigo 50.º, que implica a participação do Reino Unido nas eleições europeias de maio, "está longe de ser evidente e não deve ser dada como adquirida".

O risco de uma saída desordenada do Reino Unido do bloco comunitário, a 12 abril, aumentou depois de na sexta-feira o parlamento britânico ter chumbado pela terceira vez o Acordo de Saída negociado entre Londres e Bruxelas e de na segunda-feira ter rejeitado as quatro alternativas apresentadas àquele texto.

A próxima data chave para esclarecer o futuro britânico é 10 de abril, dia de Conselho Europeu extraordinário dedicado ao 'Brexit'.

O Conselho Europeu concordou em 21 de março estender o artigo 50.º até 22 de maio, desde que o Acordo de Saída fosse aprovado pela Câmara dos Comuns até sexta-feira passada, estipulando uma prorrogação até 12 de abril caso o texto fosse novamente chumbado.