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Último comício do Syriza em tom de desafio a Merkel

Último comício do Syriza em tom de desafio a Merkel

Foi ao som de Leonard Cohen que terminou, esta quinta-feira, o comício de encerramento de campanha do Syriza, no centro de Atenas. "First we take Manhattan, then we take Berlin" foi o mote para Alexis Tsipras chamar ao palco Pablo Iglesias, o líder do Podemos espanhol.

O discurso do líder do Syriza durou cerca de 45 minutos. E parecia que seria ele a única estrela a brilhar na noite em que teve lugar o último grande comício da Coligação de Esquerda Radical.

Alexis Tsipras já acenava para a multidão, como que a despedir-se, quando o sistema de som começou a debitar o conhecido refrão do cantor canadiano: "First we take Manhattan, then we take Berlin" (Primeiro conquistamos Manhattan, depois conquistamos Berlim).

Perante uma multidão já entusiasmada pelo claro tom de desafio a Angela Merkel e à Alemanha, Alexis Tsipras chamou ao palco o líder do partido espanhol Podemos. Pablo Iglesias ensaiou algumas palavras em grego e deixou um incentivo final: "Hasta la victoria".

Durante a sua intervenção perante os milhares de pessoas que enchiam a Praça Omonia e as avenidas circundantes, foram frequentes as referências de Tsipras ao Programa de Salónica. E portanto a uma das propostas que deixa a chanceler alemã com os cabelos em pé: a renegociação da dívida. Outro dos pontos fundamentais do programa de um futuro Governo esquerdista é o combate à "crise humanitária" que se vive na Grécia, e que passa por medidas como a restituição do subsídio de Natal dos pensionistas que ganhem menos de 700 euros, eletricidade grátis para 300 mil famílias ou cuidados de saúde gratuitos para os desempregados que perderam os seus seguros.

Propostas que agradaram ao desempregado Dimitrius Gauratidis, que descreve o que quer dizer, na Grécia, crise humanitária: "Crianças com fome, jovens sem emprego, pessoas que se suicidaram porque já não tinham esperança". Acredita que o vitória do Syriza mudará o destino do país, porque "está mais perto da pessoas" e "falará na Europa com outra linguagem". Medo de uma expulsão do euro não tem. "Isto está muito mau, não vejo como possa ficar pior".

A socióloga Barbara Leanopolou não acredita que se cumpra a ameaça que chega da Alemanha e de Bruxelas. "O Syriza não recusa pagar a dívida, o que diz é que não o pode fazer contra o povo. Não acredito que nos expulsem do euro". Ao contrário, acredita que ainda é possível que a Coligação de Esquerda Radical atinja o objetivo de conquistar a maioria absoluta.

O mesmo espera Kostas Kazopoulos, que enfatiza a importância do Syriza ter "mãos livres" para governar, mas ainda assim dá conta de alguma desconfiança face à capacidade de Tsipras em liderar o país. "Fico à espera do dia seguinte", diz este pequeno empresário do calçado cuja maior angústia é sentir que já não é capaz de manter os seus filhos na Grécia. O mais velho já emigrou para o Reino Unido, o segundo está a terminar o serviço militar e irá depois juntar-se ao irmão.