Sri Lanka

Um português entre os 207 mortos de oito explosões

Um português entre os 207 mortos de oito explosões

Há um português entre as 207 vítimas mortais de oito explosões que ocorreram, este domingo, em igrejas e hotéis no Sri Lanka.

Pelo menos 207 pessoas, entre as quais 35 estrangeiros, morreram e mais de 460 ficaram feridas em oito explosões que ocorreram em igrejas e hotéis no Sri Lanka. Maioria das explosões terá sido causada por bombistas suicidas. Sete suspeitos foram detidos.

Em declarações à Lusa via telefone, a cônsul de Portugal em Colombo, Preenie Pine, disse que entre as vítimas está "um jovem português, com idade que ronda os 30 anos", que se encontrava num dos hotéis atingidos pelas explosões. A vítima é da zona de Viseu, segundo confirmou entretanto o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

De acordo com a cônsul há mais portugueses no país, mas "estão todos bem", acrescentando que está a dar apoio à mulher da vítima. "É um dia muito triste, estamos chocados", adiantou.

Ao todo somam-se já oito explosões. A capital, Colombo, foi alvo de, pelo menos, quatro explosões, em três hotéis de luxo e uma igreja. Duas outras igrejas foram também alvo de explosões, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra em Batticaloa, no leste do país.

Os hotéis de luxo onde se registaram as explosões são o Kingsbury Hotel, o Shangri-La e o Cinnamon Grand Colombo, todos na capital.

As explosões ocorreram "quase em simultâneo", pelas 8.45 horas (3.15 horas em Portugal continental), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais. A primeira explosão foi registada na igreja de Santo António, situada no centro da capital e muito frequentada. Seguiu-se a informação de outra explosão na igreja de São Sebastião em Negombo e depois na igreja de Zion em Batticaloa.

Surgiu mais tarde a indicação de mais uma explosão num hotel perto do jardim zoológico em Dehiwala, nos arredores da capital, que causou dois mortos, e outra num complexo de vivendas no distrito de Dematagoda. A polícia indicou que esta oitava explosão foi um atentado suicida e que vitimou três agentes, segundo a agência AFP.

Presidente "em choque" com "atos cruéis"

O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, apelou à calma depois da série de explosões sentidas em três hotéis de luxo e três igrejas, onde muitos fiéis celebravam o Domingo de Páscoa.

"Por favor, permaneçam calmos e não sejais enganados por rumores", pediu Sirisena numa mensagem à nação, num país onde os confrontos têm sido frequentes no passado em reação a eventos violentos.

O presidente mostrava-se "em choque" e triste com o sucedido, esclarecendo que "investigações estão em andamento para descobrir que tipo de conspiração está por detrás destes atos cruéis".

Após as oito explosões, o governo decretou o Estado de Emergência e a polícia impôs o recolher obrigatório com efeito imediato perante o perigo de novos ataques.

O Ministério da Educação anunciou o encerramento de todas as escolas do país na segunda e terça-feira.

Ataques no dia de celebração da Páscoa

No Sri Lanka, a população cristã representa 7%, enquanto os budistas rondam 67%, os hindus são 15% e os muçulmanos 11%.

Os ataques deste domingo ocorreram quando muitos fiéis cristãos celebravam o Domingo da Ressurreição, o dia mais importante de entre os rituais da Semana Santa.

Ataques contra minorias religiosas na ilha têm sido habituais no passado, o último em 2018, quando o governo teve de declarar estado de emergência após confrontos entre muçulmanos e budistas cingaleses com dois mortos e dezenas de detidos.

Atentados desta magnitude não tinham tido lugar no Sri Lanka desde a guerra civil entre a guerrilha tâmil e o governo, um conflito que durou 26 anos e terminou em 2009, e que deixou, de acordo com dados da ONU mais de 40 mil civis mortos.

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