Israel

UNESCO gera polémica na praça das religiões em Jerusalém

UNESCO gera polémica na praça das religiões em Jerusalém

Resolução critica Israel por danos na herança muçulmana e limitações ao culto. Governo suspende cooperação com organização.

Uma resolução do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) gerou mais uma polémica sobre a Cidade Velha de Jerusalém, a mais simbólica - e a mais sangrenta - praça comum das três religiões monoteístas.

Sob a epígrafe "Palestina ocupada", o texto, aprovado por um comité consultivo (24 votos a favor, seis contra e 26 abstenções), e confirmado sem votação pelo executivo da UNESCO, é contestado por Israel.

No essencial, o objeto da resolução, proposta por vários países árabes, é a preservação da "herança cultural palestiniana e o caráter distintivo de Jerusalém Oriental".

Mas Israel, apoiado nomeadamente pelos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, protesta contra a omissão das referências hebraicas para os lugares sagrados comuns ao Judaísmo, ao Cristianismo e ao Islamismo, especialmente o Monte do Templo, que surge com a denominação muçulmana Al-Buraq, vulgo Esplanada das Mesquitas.

Em protesto, cessou a cooperação com a organização. "Com esta decisão absurda, a UNESCO perdeu a legitimidade que tinha", justificou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Israel Já deixara de pagar as contribuições devido à admissão da Palestina na organização.

A diretora-geral tentou colocar água na fervura, declarando que "Jerusalém é indivisível e cada uma das suas comunidades tem o direito ao reconhecimento explícito da sua história e da sua ligação com a cidade".

"A mesquita Al-Aqsa/Al-Haram Al-Sharif, santuário sagrado dos muçulmanos, é também a Har HaBayit - ou Monte do Templo - cujo Muro Ocidental é o lugar mais sagrado do Judaísmo, a alguns passos do Santo Sepulcro e do Monte das Oliveiras, venerados pelos cristãos", recorda Irina Bokova. No entanto, a resolução sublinha duas vezes a importância da cidade, dos seus muros e da Faixa de Gaza para as três religiões.

Israel, que no texto é tratado 15 vezes como "potência ocupante" (desde 1967), é criticado por recusar cumprir decisões da Unesco sobre a herança palestina na cidade central do conflito israelo-palestiniano.

O texto exige a devolução da gestão da Esplanada das Mesquitas à Jordânia, incluindo restauro, manutenção e regulação aos acessos, e condena ataques extremistas de direita e de tropas israelitas contra civis; a entrada forçada em mesquitas; restrições à circulação e culto; danos em património; e projetos como um teleférico e um centro de visitantes.

Por outro lado, critica intervenções na Porta do Magrebe, como uma plataforma permanente de oração para judeus, com exclusão dos muçulmanos, demolições ilegais de vestígios arqueológicos omeias, otomanos e mamelucos e escavações intrusivas.

Na Faixa de Gaza, a Unesco condena a ação armada, com mortos e feridos civis, e o bloqueio à circulação das populações e do acesso às escolas e equipamentos culturais.

Em Al-Khalil/Hebron, são apontadas escavações ilegais, estradas privativas para colonos israelitas e um muro de separação na zona do Túmulo dos Patriarcas que restringe a liberdade de circulação.

Outro muro tem um forte impacto na mesquita de Bilal Ibn Rabah/Túmulo de Raquel, em Belém, para onde a resolução exige a reposição das características originais da paisagem e o levantamento das limitações de acesso e circulação de muçulmanos.

ver mais vídeos