República Centro Africana

Unicef horrorizada com crueldade contra crianças na República Centro Africana

Unicef horrorizada com crueldade contra crianças na República Centro Africana

"Pelo menos 133 crianças foram mortas ou mutiladas, algumas de modo horrível, em dois meses", alertam responsáveis da Unicef na África Ocidental, que assumem estar "horrorizados com a crueldade e impunidade" da violência contra crianças na República Centro Africana.

"As crianças são cada vez mais visadas devido à sua religião ou comunidade", disse o diretor regional para a África Central e Ocidental da Unicef, Manuel Fontaine, citado num comunicado do Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado na quinta-feira.

A República Centro Africana mergulhou no caos desde que, em março de 2013, a coligação Séléka, de maioria muçulmana, derrubou o governo do país maioritariamente cristão, desencadeando uma espiral de violência sectária, que já causou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.

No comunicado divulgado na página da Internet da agência da ONU, Fontaine adianta que "a violência sectária na República Centro Africana RCA se tem intensificado, quer na capital Bangui, quer no centro e na zona oeste do país".

Os ataques retaliatórios das milícias "anti-balaka" (de maioria cristã) e dos ex-combatentes Séléka das últimas semanas têm revelado "níveis sem precedentes de violência contra crianças", indica.

"Pelo menos 133 crianças foram mortas ou mutiladas, algumas de modo horrível, em dois meses", revela a Unicef, adiantando ter verificado casos de crianças "intencionalmente decapitadas" e ter tido conhecimento de outros em que as crianças, feridas em tiroteios, ficaram bloqueadas e quando conseguiram chegar ao hospital tiveram que ser amputadas.

A Unicef apela ao governo, à comunidade e os líderes religiosos e civis da RCA para ajudarem a acabar com a violência e trabalharem no sentido da reconciliação, assinalando ainda que os crimes graves contra as crianças têm de ser investigados e os seus responsáveis punidos.

"Não há futuro para um país onde os adultos podem atacar violentamente crianças inocentes com impunidade", disse Fontaine.