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"Inverno muito difícil" à espreita. Inglaterra sofre com falta de camionistas

"Inverno muito difícil" à espreita. Inglaterra sofre com falta de camionistas

A falta de motoristas de pesados de mercadorias está a instalar o receio de um "inverno muito difícil" no Reino Unido. Há bombas de gasolina sem combustível e em alguns supermercados as prateleiras começam a esvaziar-se, mas o Governo apela à calma.

A petrolífera BP admitiu que teve de fechar alguns postos devido à falta de combustível, cenário idêntico ao reportado pela Exxon Mobile. Num levantamento feito pela CNBC, a Tesco admitiu problemas em dois postos de combustível, enquanto a Sainsbury's disse não ter experienciado qualquer anomalia.

Segundo a Associação de Revendedores de Combustíveis, há 8380 postos de abastecimento no Reino Unido, dos quais 1% está fechada, cerca de 84, contas feitas pela BBC, 50 das quais pertencem à BP.

"As falhas foram causadas por alguns atrasos na cadeia de distribuição que sofre os impactos de um problema mais vasto, de falta de motoristas", disse fonte da BP. "Estamos a trabalhar com os nossos transportadores para minimizar eventuais futuras quebras de abastecimento. Estamos a dar prioridade às áreas de serviço nas autoestradas, às estradas mais frequentadas por camionista e aos locais onde a procura é geralmente mais elevada", acrescentou a petrolífera britânica, em comunicado.

Fontes do setor confirmaram à agência de notícias France Presse que a falta de combustíveis se faz sentir maioritariamente no sudoeste de Inglaterra. Embora pontuais, são parte de um problema maior. "Há pressão sobre as cadeias de abastecimento devido à falta de condutores de veículos pesados de mercadorias", referiu a Associação de Revendedores de Combustíveis, pela voz de Gordon Balmer.

Ministro prevê "um inverno muito difícil"

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Peritos e líderes do setor energético britânico argumentam que a pandemia e o Brexit provocaram um corte no total de motoristas de pesados, que afeta as cadeias de abastecimentos de outros setores, como a alimentação ou os materiais de construção.

O ministro britânico das Pequenas e Médias Empresas, Paul Scully, alertou para a possibilidade de "um inverno mesmo muito difícil para as pessoas", em declarações ao canal de televisão ITV, quando confrontado com notícias da falta de combustíveis e imagens de prateleiras vazias.

"Temos a noção de que isto vai ser um desafio e é por isso que não podemos subestimar a situação em que estamos", disse Scully à ITV. Mais tarde, em declarações à "Radio Times" disse não ver necessidade de as pessoas entrarem em "pânico e desatarem a comprar."

Muitos dos motoristas que deixaram a Grã-Bretanha eram da Europa de Leste e voltaram para casa, para fugir à pandemia ou escapar ao endurecimento das regras de imigração.

"Estamos com falta de 100 mil motoristas, de momento, incluindo 20 mil condutores europeus que deixaram o país por causa do Brexit", disse um porta-voz da Associação de Transportes Rodoviários (RHA na sigla em inglês), Rod McKenzie, em declarações ao canal de televisão da BBC.

O governo britânico admite recorrer a motoristas das Forças Armadas para fazer face à falta de condutores de veículos pesados. "Se isso ajudar, vamos chamá-los", disse o ministro dos Transportes, Grant Shapps. Em declarações à BBC, na sexta-feira, recusou a ideia de que há falta de combustível, considerou que os críticos estão errados ao culparem o Brexit e argumentou que o problema da falta de motoristas é comum a outros países da Europa.

Ofertas de salário de 6400 euros por mês para motoristas de pesados

O mercado de trabalho parece estar a funcionar nos reinos de Sua Majestade a rainha Isabel II. Segundo a Imprensa, há ofertas de trabalho para motoristas com salários a rondar os 90 mil euros por ano - contas feitas à moda portuguesa, são mais de 6400 euros por mês, contando a 14, subsídios de natal e férias incluídos nas contas.

Há também bónus anuais, ou mensais, consoante as empresas que tentam contratar motoristas de pesados. A cadeia de supermercados "Iceland", que diz ter pelo menos 100 motoristas em falta - juntou-se à "Morrisons" e à "Ocado" no apelo para incluir os motoristas de pesados na lista de profissões com falta de mão-de-obra, o que permitiria aos estrangeiros a obtenção de um visto de trabalhador especializado para entrar em Inglaterra ao volante de um camião.

"Não se treinam motoristas de pesados de mercadorias de um dia para ao outro. É algo que vai demorar. A indústria vai ter de trabalhar com o que tem", comentou Andrew Goodwin, economista-chefe da "Oxford Economics", em declarações à cadeia de televisão CNBC.

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