Viena

Irão acusa EUA de "complicarem" esforços para restaurar acordo nuclear

Irão acusa EUA de "complicarem" esforços para restaurar acordo nuclear

O Irão acusou os Estados Unidos de estarem a "complicar" os esforços para restaurar o acordo nuclear de 2015 ao evitar uma decisão que satisfaça os dois países.

"A cada hora, as negociações em Viena ficam mais complicadas na ausência de uma decisão política dos Estados Unidos", escreveu o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Shamkhani, na rede social Twitter.

"A abordagem dos Estados Unidos aos principais pedidos do Irão, juntamente com a pressão injustificada para chegar rapidamente a um acordo (em Viena) e propostas ilógicas, mostram que os norte-americanos não estão interessados num acordo sólido que satisfaça ambas as partes", acrescentou Shamkhani.

As autoridades iranianas estão envolvidas há vários meses em conversações com as principais potências mundiais em Viena, com o objetivo de restaurar o Plano de Ação Global Conjunto (JCPOA, como é conhecido o acordo nuclear de 2015). Os Estados Unidos participam nas negociações de forma indireta.

Este pacto, realizado entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China), mais a Alemanha, permitia o levantamento de sanções internacionais contra Teerão em troca de rigorosos limites ao seu programa nuclear, com vista a impedir o país de se dotar da bomba atómica.

Os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o acordo durante a administração de Donald Trump, em 2018. Um ano depois da decisão de Washington, Teerão começou a desrespeitar os limites impostos ao seu programa nuclear e tem enriquecido urânio a níveis cada vez mais próximos do necessário para criar uma arma nuclear.

Quando um acordo parecia iminente em Viena, a Rússia, atingida por sanções ocidentais após a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, pediu na semana passada garantias aos Estados Unidos de que essas sanções não afetariam a sua cooperação militar e económica com o Irão.

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Os norte-americanos e europeus expressaram a preocupação de que as exigências russas atrasem um acordo.

"Alguns estão a tentar culpar-nos por prolongar as negociações. [Mas], essas negociações não estavam numa fase final e nem o texto do acordo final está", disse o negociador-chefe russo, Mikhail, na quarta-feira.

"Como qualquer outro participante, temos o direito de pedir algo (...). Temos o direito de proteger os nossos interesses no domínio nuclear e num contexto mais amplo", acrescentou

"Todas as nossas relações económicas e comerciais com o Irão devem ser protegidas de sanções europeias ou norte-americanas atuais e futuras", disse ainda.

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