Energia atómica

Irão viola acordo nuclear e produz urânio enriquecido a 20%

Irão viola acordo nuclear e produz urânio enriquecido a 20%

O Irão iniciou o processo de produção de urânio enriquecido a 20% na central nuclear subterrânea de Fordo, bem acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015, divulgou esta segunda-feira a televisão iraniana, citando o porta-voz do Governo.

"O processo de produção de urânio enriquecido a 20% começou no complexo de Shahid Alimohammadi (Fordo)", localizado 180 quilómetros a sul de Teerão, disse o porta-voz do Governo iraniano, Ali Rabii, citado no portal da internet da televisão estatal iraniana.

A diplomacia da União Europeia (UE) já reagiu e disse que, se o Irão concretizar a produção de urânio enriquecido a 20%, ficará "consideravelmente desviado" do acordo nuclear, o que terá "sérias consequências" no pacto.

Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, o porta-voz Peter Stano realçou, em nome do Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borell, a "importância de evitar passos que podem colocar em causa a preservação do acordo nuclear".

Referiu, contudo, que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ainda não confirmou esta informação, notando que a UE aguarda que isso aconteça, possivelmente ainda durante esta quinta-feira.

Também o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu assegurou esta quinta-feira que não permitirá o desenvolvimento pelo Irão de armas nucleares, após advertir para a violação do acordo nuclear de 2015 por Teerão.

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"A decisão do Irão em prosseguir a violação das suas obrigações, aumentar o enriquecimento de urânio e promover capacidades industriais para o enriquecimento no subsolo apenas tem por explicação o seu desejo de avançar até ao seu objetivo de desenvolver um programa nuclear militar", assinalou Netanyahu na sua conta na rede social Twitter. "Israel não permitirá que o Irão desenvolva armas nucleares", reafirmou.

Numa carta datada de 31 de dezembro, o Irão tinha já informado a AIEA do seu desejo de produzir urânio enriquecido a 20%. Esta quinta-feira, anunciou o início da injeção de gás nas centrifugadoras da fábrica de Fordo para obter urânio a essa pureza.

De acordo com o último relatório disponível da agência da ONU, publicado em novembro, Teerão enriqueceu urânio com um grau de pureza superior ao limite previsto no acordo de 2015 (3,67%), mas não havia ultrapassado o limite de 4,5% e ainda cumpria o regime de fiscalização muito rigoroso da AIEA.

O Plano de Ação Conjunto Global - mais conhecido como acordo nuclear iraniano - é um acordo firmado a 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha, visando restringir a capacidade do Irão desenvolver armas nucleares.

Entre outras disposições, o acordo limita o número de centrifugadoras (utilizadas para enriquecer urânio) de que o Irão pode dispor.

Todo este processo tem sofrido muita turbulência desde o assassínio, no final de novembro, do físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh.

Na sequência deste ataque atribuído pelo Irão a Israel, o parlamento iraniano aprovou uma lei polémica que pede a produção e armazenamento de "pelo menos 120 quilos por ano de urânio enriquecido a 20%" e o "fim" das inspeções da AIEA, que tem como objetivo verificar se o país pretende adquirir a bomba atómica.

O Governo iraniano opôs-se a esta iniciativa, que foi denunciada pelos demais signatários do acordo de 2015 e que em dezembro haviam apelado a Teerão para não "comprometer o futuro".

A partir de maio de 2019, o Irão já tinha começado a libertar-se dos principais compromissos assumidos no acordo de Viena de limitar o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais contra o país.

Esse desvincular dos compromissos começou um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos, seguida pela reintrodução de pesadas sanções norte-americanas que privaram o Irão das esperadas consequências do acordo.

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