Diplomacia

Iraque garante que produção e exportação de petróleo estão normais

Iraque garante que produção e exportação de petróleo estão normais

O Ministério do Petróleo iraquiano assegurou esta sexta-feira que a produção e exportação de crude não foram afetadas pelo ataque dos EUA em Bagdad e negou que trabalhadores estrangeiros das companhias petrolíferas tenham abandonado o Iraque.

O Ministério garantiu, em comunicado divulgado esta sexta-feira, que a situação nos campos de petróleo de todo o país é "normal" e pediu aos mercados para terem calma.

No entanto, o preço do barril do Brent subiu 4% esta sexta-feira de manhã no mercado de Londres, após um ataque aéreo dos Estados Unidos, em Bagdad, que matou o comandante da força de elite iraniana Al-Quds, general Qassem Soleimani, que seguia num carro depois de deixar o aeroporto.

No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras seis pessoas.

O petróleo bruto Brent para entrega em março subiu esta sexta-feira para 69,50 dólares por barril, o nível mais alto desde setembro passado.

Além disso, as principais bolsas de valores europeias estão a registar esta sexta-feira fortes quedas após o ataque.

O Ministério do Petróleo iraquiano negou ainda, no mesmo comunicado, que os funcionários estrangeiros que trabalham nas companhias petrolíferas no sul do país tenham deixado o país, referindo que "apenas alguns saíram do Iraque".

A embaixada dos EUA no Iraque instou os seus cidadãos a deixar o país imediatamente e recomendou que o fizessem preferencialmente de avião, de acordo com um alerta divulgado logo a seguir ao ataque.

O ataque reivindicado pelo Pentágono, que declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas -- Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem as partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos.

No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos.

Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".

Do lado iraquiano, o primeiro-ministro iraquiano demissionário, Adel Abdel Mahdi, advertiu que este assassínio vai "desencadear uma guerra devastadora no Iraque" e o grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, considerou o assassínio do general iraniano Qassem Soleimani "um ataque injustificado" e "uma violação flagrante à soberania iraquiana".

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