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Irmã do rei de Espanha vai a julgamento por fraude fiscal

Irmã do rei de Espanha vai a julgamento por fraude fiscal

A infanta Cristina, irmã de Filipe VI, novo rei de Espanha, e o marido, Iñaki Urdangarin, foram formalmente acusados de fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Suspeitos do desvio de milhões de euros, vão sentar-se no banco dos réus.

O juiz de instrução considera Cristina de Borbón responsável por um delito conta a Fazenda pública como cúmplice dos delitos fiscais cometidos pelo marido, Iñaki Urdangarin, nos exercícios fiscais de 2007 e 2008, através da empresa Aizoon, uma sociedade familiar em que cada um tem uma quota de 50%.

A decisão faz parte do texto de 167 páginas que marca o final da fase de instrução do caso conhecido com Nóos, um dos que mais danificou a imagem da família real e da monarquia espanholas.

No texto, o juiz José Castro apela ao Ministério Público e às acusações particulares para que solicitem a abertura da instrução do julgamento, formulando por escrito a sua acusação num prazo de 20 dias.

Em concreto, a infanta Cristina está acusada com o marido por dois delitos de fraude fiscal e por um delito de branqueamento de capitais.

O procurador anticorrupção Pedro Horrach confirmou já, hoje de manhã, que vai recorrer da decisão do juiz por considerar que "continua a não haver qualquer elemento contra" a infanta.

Horrach considerou que esta é a única discrepância que tem tido com o juiz Castro neste processo.

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Há ainda 13 outros arguidos no processo cuja investigação se alargou às administrações regionais nas Baleares, Valência e Madrid.

Entre eles contam-se o ex-sócio de Urdangarin, Diego Torres, a sua mulher Ana María Tejeiro, e dois irmãos, o ex-presidente do Governo das Baleares Jaume Matas e vários outros responsáveis de organismos públicos da região.

Há ainda acusados vários responsáveis de organismos públicos de Valência e uma de Madrid.

A fase de instrução do processo - que investigou o alegado desvio de fundos públicos pelo instituto Nóos, presidido por Urdangarin entre 2003 e 2006 - demorou 1436 dias e resultou num processo de mais de 58 mil páginas e 62 volumes.

Foi aberto em fevereiro de 2006 depois do PSOE nas Ilhas Baleares ter questionado no parlamento regional o pagamento de 1,2 milhões de euros ao Instituto Nóos pelo Governo regional para a realização de um encontro sobre turismo.

Investigações posteriores levaram à análise de outros acordos com o Nóos, tendo o processo acelerado em 2011 depois das primeiras rusgas e da primeira audição ao sócio de Urdangarin, Diego Torres.

O cunhado do rei espanhol foi constituído arguido em dezembro de 2011 e a sua mulher, a infanta Cristina, a 7 de janeiro, tendo prestado declarações ao juiz instrutor durante seis horas no passado dia 8 de fevereiro.

Nessa audição histórica - pela primeira vez, um membro de uma casa real europeia respondeu perante a justiça por um caso de corrupção - Cristina negou envolvimento no caso Nóos e desconhecimento sobre muitas das perguntas colocadas.

A infanta Cristina foi a única ausente das recentes cerimónias de abdicação do seu pai, Juan Carlos, e de proclamação do seu irmão, Felipe VI.

Esta semana foi visitada pela rainha Sofia na sua casa em Genebra (Suíça).

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