Vaticano

Irmã Dulce dos Pobres é a primeira santa brasileira

Irmã Dulce dos Pobres é a primeira santa brasileira

A primeira santa nascida no Brasil foi santificada oficialmente este domingo, no Vaticano, pelo Papa Francisco. A irmã Dulce, como é conhecida, dedicou toda a vida a ajudar os pobres e doentes, fundando escolas e hospitais que ainda hoje funcionam em S. Salvador da Baía.

O facto de o Brasil ser o país com o maior número de católicos em todo o Mundo e de a devoção à mulher que nasceu em 1914 com o nome de Maria Rita e que morreu em 1992, como irmã Dulce, em homenagem à mãe, ser tão numerosa levou a que, desde há dias, Roma esteja a ser "invadida" por fiéis brasileiros.

Oriunda de uma família rica, desde pequena que Maria Rita tinha uma predileção especial pelos pobres. O processo de canonização, um dos mais breves da história, refere que, aos 13 anos, a adolescente levava doentes para casa dos pais para cuidar deles.

A devoção é tanta e são tantos os relatos de milagres que, 27 anos após a morte, a irmã Dulce dos Pobres sobe aos altares. A rapidez da santificação da católica brasileira é ultrapassada por poucos. Por exemplo, a de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após a morte) e a do Papa João Paulo II (nove anos depois de morrer).

de galinheiro a hospital

"Nos pobres que a irmã Dulce acolhia, nos doentes que abraçava, nas crianças que encontrava abandonadas, tinha capacidade de ver o rosto de Jesus", referiu D. Murilo Krieger, arcebispo de S. Salvador da Baía e primaz do Brasil.

Das muitas histórias de vida (provadas com documentos e relatos vividos na primeira pessoa), uma das mais curiosas é a da criação do Hospital Santo António, em Salvador, que ainda hoje atende mais de cinco mil pessoas por dia. O hospital nasceu no galinheiro do Convento de Santo António, o único espaço cedido à irmã Dulce para receber doentes. Em 1939, a jovem mulher invadiu e ocupou cinco casas na Ilha dos Ratos para abrigar doentes que recolhia nas ruas.

Em 1988, foi indicada pela rainha Sílvia, da Suécia, e por José Sarney, então presidente do Brasil, para o Prémio Nobel da Paz e, em 2012, num inquérito nacional, foi eleita um dos maiores 12 brasileiros de todos os tempos.

O reconhecimento do trabalho da nova santa foi reconhecido, pessoalmente, pelo Papa João Paulo II, que se encontrou duas vezes com a irmã Dulce. Também Madre Teresa de Calcutá se encontrou com a mulher que, no Brasil, se dedicava a tratar dos doentes, "os mais pobres dos pobres", tal como ela fazia na Índia.

Ivete Sangalo canta a vida da religiosa - A propósito da santificação da irmã Dulce dos Pobres, mais de 50 cantores da Baía juntaram-se para cantar a vida da nova santa. Ivete Sangalo é uma das mais conhecidas a juntar a voz no louvor a Dulce: "A Baía inteira canta para celebrar a nossa santa".

Uma igreja onde rezaram três santos - A igreja São João Paulo II foi reconstruída em 1980 para receber a visita do Papa, mas, antes, a igreja de Alagados recebeu a visita de Madre Teresa de Calcutá, da irmã Dulce (que tinha lá uma espécie de hospital de campanha) e, mais tarde, de João Paulo II. Hoje, é um dos principais pontos de turismo religioso de Salvador.

Na mesma cerimónia, Francisco proclamou santo o cardeal britânico John Henry Newman, um anglicano convertido ao catolicismo no século XIX, que se tornou uma figura unificadora e muito influente nas Igrejas Anglicana e Católica.

Outros três pessoas, a religiosa italiana Giuseppina Vannini, a indiana Maria Teresa Chiramel e a suíça Marguerite Bays, também foram proclamadas santas hoje pelo Papa.