França

"Irritante e frustrante". Milhares de britânicos correm de regresso a casa para evitar quarentena

"Irritante e frustrante". Milhares de britânicos correm de regresso a casa para evitar quarentena

O Reino Unido anunciou na quinta-feira que vai voltar a impor a quarentena obrigatória para pessoas provenientes de França e dos Países Baixos, incluindo os cidadãos britânicos, a partir deste sábado. Apanhados de surpresa, milhares de ingleses de férias desesperam para regressar a casa e evitar o isolamento.

O secretário de Estado dos Transportes do Governo britânico, Grant Shapps, anunciou na quinta-feira que as informações disponíveis sobre a evolução da pandemia em vários países indicam que é necessário "remover França, os Países Baixos, o Mónaco, Malta, as ilhas Turcas e Caicos e Aruba" da lista de países seguros, para "manter os rácios de infeção baixos". A justificação é que a taxa de infeção nesses países excedeu os 20 casos por 100 mil pessoas em sete dias.

Por isso, a partir de sábado, qualquer cidadão que chegue ao Reino Unido proveniente de um destes destinos terá de ficar em isolamento durante 14 dias.

"Trabalhamos tão duro neste país para baixar o nosso nível de infeções, a última coisa que queremos é que as pessoas voltem e tragam a infeção com elas. É para proteger todos", disse Grant Shapps à BBC.

Segundo o secretário de Estado, existem cerca de 160 mil turistas britânicos atualmente em França. O curto prazo está a gerar uma corrida aos portos e aeroportos, com milhares de turistas desesperados para evitar a quarentena.

Outros, que não consigam voltar a tempo, terão de enfrentar interrupções no trabalho ou na escola. Katie, uma professora de férias no sul de França, disse à BBC que a viagem de 12 horas até a travessia do Canal da Mancha significa que não tem hipótese de voltar a tempo, então ela e os filhos vão perder o início do semestre.

"Fazemos tudo o que o governo nos pede há meses, mas realmente acho que precisam de nos tratar a todos com um pouco de respeito e dar-nos tempo para nos organizarmos para que possamos continuar com os nossos trabalhos e os nossos filhos com as suas vidas", disse a britânica.

O site do Eurotunnel (túnel ferroviário que faz a ligação entre França e o Reino Unido) está a ter problemas para lidar com a grande quantidade de utilizadores.

"Sempre que tento trocar o bilhete, o site está ocupado. As pessoas poderiam tomar decisões informadas se tivessem sido avisadas com antecedência. É irritante e frustrante", afirmou Mariana Fabricante, que tenta regressar de um resort na montanha de Tignes com a família.

John Keefe, diretor de relações públicas da Getlink, que opera o Channel Tunnel, disse à BBC que sexta-feira já era normalmente um "dia de pico de regresso ao Reino Unido" e que os lugares estavam quase esgotados.

Keefe alertou as pessoas para não viajarem para o terminal sem uma reserva confirmada. "Não há espaço disponível", avisou. Mas alguns turistas já se conformaram e afirmam que aceitam as restrições de quarentena no regresso.

Jonathan Fieldsend, de Woodbridge em Suffolk, que não deve regressar de França com a família antes de 18 de agosto, já se conformou com a ideia: "Aceitámos totalmente o risco que corríamos da introdução da quarentena. Não vamos regressar a correr". A Airlines UK descreveu as restrições de quarentena como "outro golpe devastador para a indústria de viagens, que ainda está a recuperar da pior crise da sua história".

Paris lamentou esta quinta-feira a decisão do Reino Unido de reintroduzir a quarentena para cidadãos oriundos de França, por causa do aumento do número de contagiados pelo novo coronavírus neste país, sublinhando que vai implementar "uma medida de reciprocidade".

O Reino Unido contabiliza mais 313 mil casos e 46.706 mortes desde o início da pandemia, enquanto França tem mais casos diagnosticados de covid-19 (331 mil), mas menos óbitos (30.388).

Outras Notícias