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ISKP: o afiliado do Estado Islâmico que chacinou o aeroporto de Cabul

ISKP: o afiliado do Estado Islâmico que chacinou o aeroporto de Cabul

Célula de radicais nasceu em 2015 de guerrilheiros talibãs que desertaram e de outros jihadistas que clamam por leis islâmicas mais duras. Não afrontam só os EUA e o Ocidente; são também contra os próprios talibãs.

O Estado Islâmico da Província de Khorasan, conhecido como ISKP ou Isis-K, executou e reivindicou o ataque terrorista desta quinta-feira ao aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão. O atentado teve a forma de ataque suicida, com duas explosões quase simultâneas executados por bombistas kamikaze.

O grupo radical foi fundado em 2015 no Baluchistão, província do sudoeste do Paquistão, e integra comandantes talibãs insatisfeitos que desertaram e outros extremistas que lutavam na região mas se sentiam marginalizados dentro do movimento jihadista local. Os guerrilheiros do ISKP, assim como os do ISIS - Estado Islâmico do Iraque e do Levante, entendem que os talibãs amoleceram e abandonaram a sua fé islâmica - isto porque negociaram com os EUA, infausto inimigo e eterna némesis do grande Islão.

77 ataques este ano

Os radicais de Khorasan, que se mantiveram silenciosos durante os avanços dos talibãs até à conquista final de Cabul, ganharam um segundo fôlego este ano, tendo realizado uma série de ataques letais com a sua característica barbaridade. Aponta o jornal "The New York Times" que, durante os primeiros quatro meses de 2021, a UNAMA - Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, registou 77 ataques reivindicados ou atribuídos ao ISKP. Os seus alvos preferenciais expandiram-se: são agora muçulmanos xiitas, jornalistas e estrangeiros, assim como todas as forças militares ocupantes do Afeganistão, incluindo infraestruturas civis e pessoal diplomático e militar.

Esse mesmo relatório da UNAMA diz que "embora o ISKP contenha um grupo central de aproximadamente 1500 a 2200 combatentes, que estão concentrados em pequenas áreas das províncias de Kunar e Nangarhar, está agora descentralizado e organizado em células e pequenos grupos espalhados por todo o país, agindo de forma autónoma enquanto partilham a mesma ideologia", diz o relatório. Muitos combatentes recebem o chamamento de fora do Afeganistão, com uma grande porção de guerrilheiros vinda do Paquistão, Tajiquistão e Uzbequistão.

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Estão contra os talibãs

Um ataque ao aeroporto de Cabul, atualmente um dos locais mais mediáticos do mundo devido à enxurrada de evacuações de pessoal diplomático das forças da coligação ocupante liderada pelos Estados Unidos, significará sempre "uma grande vitória" para o ISKP, disse ao jornal "The Guardian" Charlie Winter, especialista do Centro para o Estudo da Radicalização da Universidade de Londres. O alvo escolhido é como uma tempestade perfeita que se abate sobre vários ódios do espetro do ISKP: os militares dos EUA, os cidadãos afegãos que colaboraram com as forças ocidentais e os próprios talibãs, que hoje controlam o Afeganistão e que o ISKP vê como "apóstatas", isto é, traidores que abandonaram a sua fé e não respeitam o Islão nem aplicam os seus princípios religiosos com suficiente dureza.

Tore Hamming, um especialista dinamarquês em jiadismo complementa a ideia: "O ISKP alcança aqui várias coisas: da perspetiva deles, estão a atingir alvos legítimos, estão a enviar um sinal de que ainda são uma força relevante no futuro do Afeganistão e estão, ainda, a desafiar o projeto estatal dos talibãs, sublinhando que o grupo não consegue proteger Cabul".

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