Colonatos

Israel quer um milhão de colonos judeus na Cisjordânia ocupada até 2030

Israel quer um milhão de colonos judeus na Cisjordânia ocupada até 2030

Israel pretende duplicar a população nos seus colonatos da Cisjordânia ocupada, para alcançar um milhão de colonos dentro de 10 anos, afirmou esta quarta-feira o ministro da Defesa do Estado hebraico, de imediato criticado pela Autoridade Palestiniana.

"O nosso objetivo é que um milhão de cidadãos israelitas vivam dentro de uma década na Judeia e Samaria", declarou Naftali Bennett numa referência ao nome bíblico utilizado pelo Governo israelita para definir a Cisjordânia ocupada.

Membro de um partido da direita radical israelita e designado ministro da Defesa no outono, Bennett emitiu esta declaração no decurso de uma conferência em Jerusalém sobre a "Doutrina Pompeo", nome do secretário da Defesa norte-americano, Mike Pompeo, que protagonizou uma viragem na política de Washington face aos colonatos judeus nos territórios palestinianos ocupados.

Após ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel e uma parte do planalto do Golã sírio como israelita, a Casa Branca indicou em meados de novembro que deixava de considerar os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada como "contrários ao direito internacional", uma decisão que suscitou forte reação palestiniana e foi criticada pelas Nações Unidas e diversos países europeus e árabes.

Cerca de 400.000 colonos judeus estão instalados atualmente nos colonatos da Cisjordânia ocupada, território onde vivem cerca de 2,7 milhões de palestinianos.

No total, e incluindo Jerusalém-leste anexado, mas não integrado na Cisjordânia ocupada, o total de colonos judaicos estabelecidos nos Territórios palestinianos ocupados ascende a 600000. "Na qualidade de ministro da Defesa, declaro oficialmente que a política de Estado de Israel consiste em que a zona C (...) nos pertence", acrescentou Bennett, numa referência a uma das três zonas da Cisjordânia definidas pelos acordos de Oslo e que representa cerca de 60% deste território palestiniano.

A colonização da Cisjordânia ocupada e a anexação de Jerusalém-leste por Israel tem sido promovida por todos os governos israelitas desde 1967, mas foi acelerada nos últimos anos sob o impulso do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do seu aliado em Washington, o Presidente Donald Trump.

Perante Benjamin Netanyahu e o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, Bennett questionou a ideia de que os territórios palestinianos estão "ocupados", com o diplomata norte-americano a considerar que os "judeus" têm "o direito de viver na Judeia e Samaria".

O ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros definiu as declarações de Bennett e Friedman de "racistas", por pretenderem "a confiscação das terras palestinianas", e um reflexo da "natureza colonial" do designado projeto de paz que os Estados Unidos ainda devem anunciar.

"Não somos ocupantes na nossa pátria, nas nossas terras, não somos como os belgas no Congo", declarou em paralelo Netanyahu numa referência à antiga presença de judeus nestes territórios.

No início da semana, as autoridades israelitas aprovaram a construção de 1936 novas habitações nos colonatos instalados em território palestiniano ocupado.