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Itália expulsa dois diplomatas russos acusados de espionagem

Itália expulsa dois diplomatas russos acusados de espionagem

A Rússia lamentou esta quarta-feira a expulsão pela Itália de dois diplomatas russos acusados de espionagem e manifestou a esperança de que este incidente não afete as relações bilaterais, reservando uma resposta para mais tarde.

"Lamentamos a expulsão de dois funcionários da embaixada russa em Roma. Estamos a esclarecer as circunstâncias em torno desta decisão", lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

A diplomacia russa assinalou que informará oportunamente sobre a possível resposta da Rússia à decisão da Itália que "não corresponde ao nível das relações bilaterais".

Roma manifestou esta quarta-feira a Moscovo o seu "firme protesto" perante o caso de espionagem que implicou a detenção de um militar italiano por vender informação classificada e anunciou a "expulsão imediata" de dois funcionários diplomáticos russos envolvidos neste "gravíssimo assunto".

A Itália tinha previamente anunciado a expulsão dos dois funcionários da embaixada, um dia depois da detenção em flagrante delito de um oficial da marinha italiana que entregava a um militar russo documentos "confidenciais" em troca de dinheiro.

"Na noite de ontem (terça-feira)", polícias de uma unidade especial "detiveram um oficial da marinha militar", declararam as forças de segurança italianas num comunicado.

A operação, realizada sob supervisão da contraespionagem italiana e do estado-maior da Defesa, "visou um capitão-de-fragata da marinha militar e um oficial acreditado junto da embaixada da Federação Russa, ambos acusados de crimes graves relacionados com espionagem e segurança do Estado", precisaram.

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"A intervenção ocorreu na altura de um encontro clandestino entre os dois homens, surpreendidos em flagrante delito após a entrega de documentos confidenciais pelo oficial italiano em troca de dinheiro", que, segundo vários media, ascende a cinco mil euros.

Em Moscovo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Presidência russa "não dispõe de qualquer informação sobre as causas e circunstâncias" deste caso.

"Esperamos que o caráter positivo e construtivo das relações russo-italianas (...) seja preservado", adiantou.

Segundo a agência noticiosa italiana AGI, citando fontes judiciais, o oficial italiano terá dado ao seu interlocutor cópias de documentos militares sobre a Itália, mas também sobre a NATO, e a troca terá decorrido num parque de estacionamento da capital.

O caso acontece num contexto de tensão de relações entre a Rússia e a Europa, nomeadamente devido à prisão do opositor Alexei Navalny e a vários outros casos de espionagem.

Moscovo acusa a União Europeia de ter uma posição "conflituosa" em relação a ela, enquanto a UE responsabiliza a Rússia pela degradação das relações, exortando-a a um "progresso sustentado" em relação aos direitos humanos, assim como "à cessação dos ciberataques" contra os seus Estados membros.

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