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Japão dececionado por ausência de sinais de reaproximação da China

Japão dececionado por ausência de sinais de reaproximação da China

O governo japonês declarou, esta quinta-feira, estar dececionado com a ausência de sinais de aproximação no discurso do Presidente chinês, Xi Jinping, nas cerimónias do 70.º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

"Tóquio tinha pedido a Pequim que este acontecimento não fosse antijaponês, e a inclusão de mais elementos de reaproximação entre o Japão e a China. É dececionante ver que tais elementos não se encontram no discurso do Presidente Xi Jinping", afirmou o porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga.

Antes, Suga tinha pedido à China que olhasse para o futuro, em vez de repisar "a infeliz história". O porta-voz do executivo de Tóquio criticou também o aumento das despesas militares chinesas e protestou contra a presença do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na parada militar de Pequim.

"O Governo japonês pede há muito tempo a Pequim para ser mais transparente em relação ao poderio militar da China. Esperamos que a redução de efetivos do exército (...) seja feita com um elevado nível de transparência", declarou, numa referência ao anúncio feito pelo presidente chinês sobre uma diminuição de 300 mil homens no exército chinês.

"É dececionante que o secretário-geral da ONU tenha assistido a este desfile", acrescentou Suga. "O Governo japonês já pediu às Nações Unidas que mantenha uma posição de neutralidade".

"A vitória total na guerra antijaponesa fez da China um grande país no mundo", declarou no seu discurso o Presidente chinês, antes de anunciar uma redução dos efetivos do Exército de Libertação Popular (ELP), o maior exército do mundo.

O ELP, atualmente composto por 2,3 milhões de elementos, foi já sujeito a importantes reduções de pessoal, na sequência da modernização e aumento considerável do orçamento.

A China afirmou repetidamente que a parada militar não era dirigida contra o Japão, que acusa de não mostrar arrependimento suficiente pelas atrocidades cometidas pelas forças do império nipónico.

Entre 15 e 20 milhões de chineses morreram durante a invasão da China pelo Japão em 1937, de acordo com os historiadores.

O passado expansionista japonês, durante a primeira metade do século XX, continua a ser uma fonte de tensões na região.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, adiou uma visita prevista, esta semana, à China. Em outubro, poderá realizar-se uma cimeira tripartida - China, Coreia do Sul e Japão. A última decorreu em maio de 2012, de acordo com jornais japoneses.

Esta manhã, 12 mil soldados chineses e estrangeiros marcharam pela principal avenida de Pequim, Chang An, num desfile militar sem precedentes para comemorar a vitória na Segunda Guerra Mundial.

Em 2014, o Governo chinês instituiu o "Dia Nacional da Vitória da China na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa" a 03 de setembro.