O Jogo ao Vivo

Tensão

Japão expressa preocupação com manobras navais e China responde com porta-aviões

Japão expressa preocupação com manobras navais e China responde com porta-aviões

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão expressou ao homólogo chinês preocupação com os Direitos Humanos na China e ainda com intrusões navais chinesas. Horas depois, os chineses advertiram os nipónicos para as relações com os EUA e posicionaram porta-aviões ao largo de Taiwan.

O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, teve uma conversa de cerca de 90 minutos, esta terça-feira, com o homólogo chinês Wang Yi, a primeira entre ambos desde novembro do ano passado.

Motegi manifestou "forte preocupação" com a aplicação pela China de uma nova lei de segurança marítima que permite à guarda costeira chinesa alvejar navios estrangeiros em águas que reclama, caso das ilhas Senkaku, controladas pelo Japão, mas disputadas pelos chineses.

O chefe da diplomacia japonesa levantou também a questão dos Direitos Humanos na China, nomeadamente a situação da minoria uigur muçulmana em Xinjiang - que os Estados Unidos dizem estar a ser vítima de "genocídio" - e as restrições aplicadas pela China à população em Hong Kong.

Motegi e Wang concordaram com a coordenação internacional para lidar com o golpe em Myanmar e a repressão militar contra os manifestantes no país do sudeste asiático, e ainda com a necessidade de promover a desnuclearização da Coreia do Norte.

Wang disse que se opõe à interferência do Japão nos assuntos internos da China, como Xinjiang e Hong Kong, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, citado pela agência Kyodo.

Advertência chinesa à aproximação entre Japão e EUA

PUB

O ministro dos negócios estrangeiros chinês advertiu o Japão para que não se coligue com os Estados Unidos contra a China, nas vésperas de uma cimeira entre Washington e Tóquio. Na conversa com o o homólogo japonês, disse que os dois países devem garantir que as relações bilaterais "não se envolvem no chamado confronto entre os grandes poderes", segundo o comunicado do ministério chinês.

Wang acrescentou que Pequim "espera que o Japão, como país independente, olhe para o desenvolvimento da China de forma objetiva e racional, em vez de ser enganado por alguns países que têm uma visão tendenciosa contra a China".

O Japão, aliado dos EUA, que tem bases navais e aéreas em solo nipónico, partilha das preocupações de Washington sobre o aumento da capacidade militar da China e das suas reivindicações territoriais nos mares adjacentes.

No entanto, os interesses comerciais e de investimento do Japão às vezes restringem as suas críticas ao país vizinho.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, viaja para Washington, para se encontrar com o Presidente, Joe Biden, em 16 de abril, na primeira cimeira presencial do líder dos EUA, desde que assumiu o cargo em janeiro.

Biden, em contraste com o seu antecessor Donald Trump, enfatizou a reconstrução dos laços com aliados europeus e asiáticos, enquanto os EUA se preparam para competir com uma China em ascensão.

Após críticas sobre Taiwan, China inicia operações navais com porta-aviões

Taiwan é outro ponto de potencial conflito. Suga afirmou, no início desta semana, que o Japão vai cooperar com os EUA nesta questão.

Horas depois das críticas japonesas, a China iniciou exercícios navais com um porta-aviões perto de Taiwan, visando "salvaguardar a soberania chinesa", numa aparente alusão à reivindicação de Pequim sobre a ilha autónoma.

A Marinha chinesa disse que os exercícios que envolvem o Liaoning, um dos seus dois porta-aviões, são rotineiros e agendados anualmente.

A China tem aumentado a ameaça de assumir o controlo da ilha militarmente com exercícios e incursões de rotina na zona de identificação de defesa aérea de Taiwan, com aviões de guerra chineses.

Os exercícios navais visam "ajudar a melhorar a capacidade de salvaguardar a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento" da China.

O Governo democraticamente eleito de Taiwan recusou-se a ceder às exigências de Pequim de reconhecer a ilha como parte do território chinês.

A China opera dois porta-aviões, dos quais o Liaoning, originalmente adquirido à Ucrânia, é o primeiro, tendo operado em função de combate desde pelo menos 2019.

Oficiais militares e observadores dos EUA alertaram recentemente sobre o aumento das ameaças chinesas contra Taiwan, que se separou do continente, após a guerra civil chinesa.

Os EUA concordaram recentemente vender aviões de guerra, mísseis e outros equipamentos defensivos atualizados para Taiwan e a ilha também está a revitalizar as suas próprias indústrias de Defesa, incluindo um programa de desenvolvimento de submarinos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG