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Japão ofereceu um uísque de cinco mil euros a Pompeo, mas ninguém sabe onde está

Japão ofereceu um uísque de cinco mil euros a Pompeo, mas ninguém sabe onde está

O Departamento de Estado dos EUA está à procura de uma garrafa de uísque desaparecida. Não é um uísque normal, mas uma bebida japonesa oferecida pelo Japão a Mike Pompeo em 2019, com o valor de quase cinco mil euros.

Há cerca de dois anos, a 24 de junho de 2019, o Japão presenteou o então secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo com uma garrafa de uísque japonês de 5800 dólares (cerca de 4900 euros), de acordo com um documento tornado público esta semana

Pompeo estava, à época, na Arábia Saudita numa visita oficial, por isso não se sabe se o ex-secretário alguma vez chegou a receber a garrafa. Pompeo visitou o Japão no final daquela semana para a cimeira dos G20.

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"Pompeo não se lembra de ter recebido a garrafa de uísque e não tem conhecimento do que lhe aconteceu. Também não tem conhecimento de nenhuma investigação sobre o seu paradeiro", escreveu o seu advogado, William A. Burck, num e-mail citado pelo "The Washington Post".

"O Departamento está a investigar o assunto e tem um inquérito em andamento", lê-se em nota de rodapé.

A primeira destilaria de uísque do Japão foi inaugurada em 1923. As variedades japonesas ganharam notoriedade global desde então, sendo que algumas podem render milhares de dólares. A garrafa mais cara já vendida, uma Yamazaki de 55 anos, foi leiloada, no ano passado, por cerca de 795 mil dólares (cerca de 613 mil euros) em Hong Kong.

É ilegal aceitar presentes

As autoridades norte-americanas não podem aceitar presentes com valor superior a 390 dólares de Governos estrangeiros. Ainda assim, os líderes mundiais e diplomatas costumam apresentar sinais de agradecimento ao Presidente ou aos principais diplomatas.

"A não aceitação causaria constrangimento ao doador e ao Governo dos EUA", lê-se no protocolo de divulgação de presentes a funcionários federais de Governos estrangeiros em 2019. Assim, os bens são aceites e tornam-se propriedade do Governo federal.

É o caso de uma cabeça de dragão de cerâmica, um banco de madeira e uma cópia abreviada da primeira edição de "A Segunda Guerra Mundial", por Winston Churchill, todos presentes dados a Trump pelo presidente do Vietname, pelo presidente do Brasil e pela rainha de Inglaterra, respetivamente. Todos os objetos foram entregues aos Arquivos Nacionais. Porém, a localização do uísque japonês está listada como "desconhecida".

O ato de dar e receber presentes diplomáticos é supervisionado pelo Gabinete do Chefe do Protocolo. Durante a administração Trump, o gabinete foi atormentado por alegações de má gestão, que resultaram num inquérito que descrevia um ambiente de gritos, pragas, "consumo excessivo de álcool" e comportamento intimidante e abusivo.

O relatório revelou ainda que Pompeo violou as regras de ética federais quando, juntamente com a mulher, pediu aos funcionários que fizessem reservas em restaurantes, cuidassem do seu cão e fizessem outras tarefas não relacionadas com os assuntos oficiais - algo que Pompeo negou à época.

O antigo Presidente dos EUA Harry S. Truman criou uma biblioteca presidencial para doar ao Governo presentes que havia recebido. Em março de 1978, dois homens invadiram a biblioteca, partiram uma caixa de vidro e fugiram com três espadas cerimoniais cravejadas de pedras preciosas e duas adagas, que eram presentes do Xá do Irão, do Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita e do Rei da Arábia Saudita.

O roubo durou menos de um minuto e, mais de quatro décadas depois, o caso continua aberto e sem respostas.

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