EUA

Jeffrey Epstein, o milionário abusador que fugiu à justiça com a morte

Jeffrey Epstein, o milionário abusador que fugiu à justiça com a morte

Acusado de tráfico de menores com objetivos sexuais, o milionário norte-americano Jeffrey Epstein foi encontrado pendurado na cela da prisão nova-iorquina onde aguardava julgamento. Incorria em pena perpétua.

Metroplitan Correctional Center, Manhattan, 6.30 horas locais, 11.30 horas em Portugal continental. O corpo, "inanimado", pende, inerte. A morte é declarada pouco depois num hospital de Nova Iorque. À segunda tentativa, o milionário acusado de escravizar sexualmente dezenas de adolescentes conseguiu o seu intento: Jeffrey Epstein acabou com a vida este sábado, a tempo de não ser julgado por um crime que nega, mas que abalou a alta roda da finança norte-americana e salpicou muito boa gente. Tinha 66 anos e um provável futuro de reclusão perpétua pela frente.

Para lá da falta de pagamento perante a justiça - foi formalmente acusado, em 8 de julho, de tráfico e abuso de dezenas de menores, nas suas mansões em 9 East 71st Street, Nova Iorque, e Palm Beach, na Florida, entre 2002 e 2005 -, o suicídio do milionário vem pôr em causa a autoridade penitenciária federal, sob cuja custódia estava desde que foi detido, no dia 6 de julho, no regresso de uma viagem a França.

No final de julho, Epstein fora encontrado inconsciente no chão da cela, com marcas no pescoço indicativas de tentativa de suicídio. Metido numa "unidade especial", o acusado fora colocado sob uma vigilância de suicídio, que, alega agora uma fonte do estabelecimento, fora suspensa, naquela que é considerada uma das cadeias de maior segurança dos EUA. A mesma em que o narcotraficante El Chapo aguardou a recente condenação.

A teia do dinheiro

A história de Epstein voltou à superfície com esta nova acusação, mas o milionário já tinha no currículo uma acusação de lenocínio com uma menor de 18 anos. O então procurador do distrito sul da Florida, Alexandre Acosta - que foi secretário do Trabalho de Donald Trump entre 2017 e o passado dia 12 de julho, quando se demitiu por causa do escândalo Epstein -, promoveu um acordo secreto questionável - assumir a culpa perante um juiz estadual para evitar um julgamento federal e foi saldado por uma detenção de 13 meses, num presídio transformado em hotel luxo onde só dormia nos intervalos do despacho na sua empresa, na Florida. Pelo meio, suspeita-se da compra de testemunhas, por 350 mil dólares.

Os amigos de que se gabava

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O crime pelo qual não pagará - o julgamento devia começar em junho de 2020 - envolve o abuso de dezenas de raparigas, menores, a troco de dinheiro. Além de vítimas, muitas eram pagas para angariar novas vítimas. Epstein, natural de Brooklyn, filho de um funcionário de parques e professor de matemática feito investidor em fundos especulativos e conselheiro de grandes fortunas e dono de uma estimada em 500 milhões de dólares, perpetrava abusos e contava com a cumplicidade da namorada, Ghislaine Maxwell, figura da alta sociedade britânica que lhe arranjaria vítimas para escravizar e forçar a relações com amigos e clientes seus. Uma delas recorda a sala de massagens de Nova Iorque: tinha anjos e nuvens pintados no teto e mulheres nuas nas paredes. Era nessa mansão que escondia fotos de pornografia de menores.

O escândalo Epstein tem particular gravidade por salpicar um portentoso grupo de amizades que o milionário alimentava com uma hospitalidade faustosa que incluía voos em jato privado e temporadas nas suas mansões (a que se somam uma ilha privada, um rancho e uma casa em Paris), com massagens no menu. Ainda que só surja, para já o nome do príncipe Andrew, filho da rainha de Inglaterra (ao lado), citado em documentos judiciais.

Do círculo do empresário constavam o agora presidente Donald Trump e o ex-presidente democrata Bill Clinton e o dono da Victoria"s Secret, Leslie Wexner (que lhe vendeu a mansão de Nova Iorque), Sergey Brin, cofundador do Google, o cineasta Woddy Allen, o príncipe herdeiro saudita. "Diz-se que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu e que muitas delas são algo jovens. Não há dúvidas, Jeffrey tem uma bela vida social", dizia Trump, em 2002, louvando o amigo a jornalistas do "New York Magazine". Agora, dizem todos que cortaram relações com ele à primeira suspeição. "Não era admirador", diz o já presidente Trump.

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