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A ilha da Bretanha dos portugueses habilidosos

A ilha da Bretanha dos portugueses habilidosos

A pequena Ilha de Groix, ao largo de Lorient, na Bretanha tem uma história cruzada com a de Portugal.

À ilha de 14 km2 e com 2 300 habitantes fixos (segundo os censos de 2019), durante o ano, só se acede através de ferry, desde Lorient, ou de barco particular, a grande maioria à vela, um deleite para os amantes da vida selvagem e dos geólogos. Em grande parte da ilha, os percursos são pedestres ou de bicicleta, que se pode alugar diretamente em Port Tudy, porto de entrada em Groix.

As casas, contrariamente ao resto da paisagem da Bretanha, além da regra de paredes brancas e telhados negros, são muito mais criativas, com cores pastel, tornando as vilas um cenário ao ar livre, com vistas para o mar desde as falésias, a norte, e com praias paradisíacas a sul. Algumas habitações parecem casas de campo com paredes de xisto, pedra usual em Groix. Um olhar mais atento aos cartazes de licenciamento de obra permite ver, recorrentemente, apelidos portugueses: "Teixeira SARL Construction" e "Da Silva Pere & Fils".

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A curiosidade é confirmada, mais tarde, num dos poucos cafés abertos ao domingo em Port Trudy, pela vivaça Marie Simon. "Os primeiros portugueses chegaram para construir a barragem de Port Melin". Em 1965, António Teixeira, emigrante minhoto clandestino em França, fugido da ditadura de Salazar, resolve emigrar para a ilha de Groix, onde era necessária mão de obra para a construção da barragem.

"Rapidamente entra em contacto com outros portugueses e passam a ser 16. António Teixeira casou com uma das belezas de Groix, que trabalhava, também ela, num café da vila", conta a uma velocidade estonteante. O detalhe da informação conduz a questionar se Marie também será da família. "Não, mas depois do filme toda a gente sabe!", comenta. O filme a que se refere é um documentário da realizadora Jeanne Dressen, de 2007, chamado "Moradores" que narra a história desta comunidade portuguesa.

A primeira geração de portugueses, em Groix era apelidada como "três vezes estrangeiros": não eram franceses, não eram bretões e não eram ilhéus. Mas, como escreveu Jeanne Dressen "eram brancos, católicos, queriam trabalhar e não era na pesca".

A Groix não chegou só António Teixeira. Em agosto de 1973, vindo de Portugal para se juntar à família instalada na ilha de Groix, chegam Abílio da Silva com o seu pai, Armindo dos Santos. Decidem criar uma empresa individual de construção civil, "formalizada a 1 de Março de 1979". Atualmente, a empresa Da Silva, tem três sócios: Victor, Michel e Gaëtan da Silva e 12 funcionários.

A verdade é que, 57 anos depois da chegada dos primeiros, os portugueses ficaram a viver em Groix e continuam a chegar. Outro dos habilidosos é Paulo Mendonça, um mecânico do Porto que tem agora a sua empresa "Paulo Mécanique", instalada em Groix. Não só os portugueses edificam a ilha, como a consertam.

Se tudo falhar, resta-nos a esperança de saber que há uma ilha de portugueses habilidosos na Bretanha.

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