Luxemburgo

"Como é que se isolam em casa os que não têm teto" no Luxemburgo?

"Como é que se isolam em casa os que não têm teto" no Luxemburgo?

A população sem-abrigo do Luxemburgo prepara-se para o fecho dos abrigos, o condicionamento das cantinas sociais e a limitação do apoio médico. O pânico dos que se dizem entregues à sua sorte, visto do gabinete de consultas dos Médicos do Mundo.

Estão dois homens sentados nas escadas de um prédio no Dernier Sol, o quarteirão de Bonnevoie onde desaguam todos os dias as desilusões da vida luxemburguesa. Têm gorros na cabeça e a roupa coçada, mais os vincos na pele de quem dorme há demasiado tempo na rua. "Chega-te para lá que não quero apanhar a doença", diz o mais velho, e o outro anui sem contestação. "Passa-me o vinho", diz passado uns segundos - e o outro estende-lhe a garrafa para que possa beber do mesmo gargalo.

Saïd, que estava sentado numa pedra do jardim, lança-se em voo de rapina sobre os dois companheiros. "Mas tu és maluco ou quê", e arranca-lhe o recipiente das mãos, "queres ficar infetado?" Na verdade Saïd não se chama Saïd, mas pede para ser chamado assim porque tem vergonha de ter caído na rua. Anda em pânico com o coronavírus e veio hoje ao Dernier Sol porque às quartas à noite há consultas gratuitas nos Médicos do Mundo. "Quero pedir gel desinfetante aos doutores. Com os cafés todos fechados como é que podemos limpar as mãos?"

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