Moçambique

Resgate de doze mil dólares não salvou vida de empresário de Pombal

Resgate de doze mil dólares não salvou vida de empresário de Pombal

O empresário vítima do homicídio ocorrido em Maputo, no domingo, chamava-se Paulo Caetano, tinha 51 anos, quatro filhos e era natural de Pombal. Um familiar revela que os raptores terão exigido a entrega de 12 mil dólares e de um carro de alta cilindrada, mas, apesar dessas indicações terem sido seguidas, não lhe pouparam a vida.

O mesmo familiar explica que, face à ausência de Paulo Caetano, uma funcionária o contactou e, do outro lado da linha, atendeu uma pessoa a dizer que o empresário tinha sofrido um acidente e a sugerir que ela se deslocasse ao local. Mais tarde, foi pedido um resgate, que foi pago, sem que o a vítima tivesse sido libertada.

A mesma fonte diz que o resgate não foi pedido à família, que reside em Pombal, mas a uma funcionária que Paulo Caetano levara para Moçambique, há oito anos, onde exercia atividade na área da construção civil.

Depois de o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, ter considerado esta "situação muitíssimo grave", o diretor-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros transmitiu ao embaixador de Moçambique em Portugal a "forte preocupação com a crescente insegurança" dos portugueses que contribuem "ativamente e muito significativamente para o desenvolvimento económico e social" daquele país. O caso está a ser investigado pelas autoridades locais.

Polícia admite que autor de rapto de português seria conhecido da vítima

A Polícia da República de Moçambique disse à Lusa ter indícios de que o rapto de Paulo Caetano pode ter sido feito por alguém que a vítima conhecia. O relato de uma funcionária indicia que "o rapto em si não tenha sido violento" e que provavelmente o empresário "se tenha sentido à vontade para lidar com as pessoas que o raptaram", referiu Juarce Elias Martins, chefe provincial de relações públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM).

A Polícia da República de Moçambique​​​​​​ (​PRM) foi alertada no sábado para o rapto por uma pessoa próxima do português de 51 anos, que vivia há oito em Moçambique e que disponibilizava apoio aos setores da construção civil, nomeadamente através do aluguer de máquinas.

"Tomámos conhecimento no dia 10, através de uma pessoa ligada à vítima, que havia registo deste rapto", que terá ocorrido na sexta-feira na zona de Mussumbuluco, na Matola, subúrbios da capital, Maputo. Na altura, referiu o responsável, a polícia ativou a equipa de investigação criminal (Sernic) e foram iniciadas diligências.

A vítima foi encontrada sem vida por volta das 14 horas de domingo, na zona de Moamba, numa pedreira abandonada, com sinais de ter sido atingida com uma faca no pescoço e no braço.

Uma portuguesa, Inês Botas, 28 anos, que trabalhava para a empresa Ferpinta na cidade da Beira, centro de Moçambique, foi assassinada em dezembro de 2017.

Três homens foram acusados do crime, incluindo o preparador físico da vítima, mas o julgamento nunca se chegou a realizar e um dos suspeitos fugiu da prisão na semana passada.

Ainda em dezembro de 2017, poucos dias depois da morte de Inês Botas, uma cidadã portuguesa com cerca de 70 anos morreu na província de Manica, centro do país, na sequência de um assalto à sua residência.

Continua também por esclarecer o desaparecimento do empresário Américo Sebastião, raptado numa estação de abastecimento de combustíveis, em 29 de julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, província de Sofala, no centro do Moçambique.

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