Luxemburgo

Na fronteira de França com o Luxemburgo a angústia é portuguesa

Na fronteira de França com o Luxemburgo a angústia é portuguesa

Há milhares de portugueses que trabalham no Luxemburgo com contratos temporários na construção civil - a maioria vive do lado francês da fronteira. Quando a pandemia chegou, centenas viram-se de um dia para o outro sem emprego nem qualquer tipo de apoio. Muitos furaram o confinamento e voltaram a Portugal. Esta é história dos que ficaram e tentam aguentar.

Já não há bolachas em casa de Hélder Amaral. "Acabámos com todos os doces, na verdade", diz o homem com um sotaque portuense cerrado. Tem 36 anos, é servente na construção civil. Ou era, até à chegada do coronavírus. "Deixámos de comprar camarão, o nosso luxo mensal era uma daquelas caixas de quilo. Carne de porco ou de vaca também já não dá. Só temos frango, que é mais barato, arroz e massa. Vamos ver por quanto tempo nos aguentamos."

A família é ele, a mulher e três filhos. Chegaram no final de outubro do ano passado a Villerupt, no lado francês da fronteira com o Luxemburgo. "Mudámo-nos temporariamente para casa dos nossos primos e eu arranjei logo trabalho através de uma agência de trabalho temporário em Esch-sur-Alzette. Foi espetacular. Em Portugal era distribuidor de produtos alimentares e ganhava 700 euros por mês, aqui passei a ganhar dois mil de salário." Está nas obras, a abrir estradas e saneamentos.

Até fevereiro a vida foi fluindo. Vanessa arranjou emprego nas limpezas a horário parcial. "No início de março começámos a ver casas para nós, e já tínhamos um apartamento apalavrado para quando eu fizesse os seis meses de trabalho, porque antes disso ninguém nos aceita um contrato", explica Amaral. Mas depois veio a pandemia. A 13 de março anunciaram-lhe que o estaleiro ia parar. "Então e eu?", perguntou. Para ele não havia soluções. "Como sou interim e precário, não tenho direito a apoio nenhum", reconhece.

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